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Contraf-CUT contesta declarações de presidente do Banco Central
09/05/2011

O presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, emitiu duas opiniões desastrosas na semana passada. Na terça-feira 3, em entrevista à GloboNews, exortou trabalhadores e empresários a que, nas próximas negociações salariais, "olhem o que vêm pela frente em termos de inflação" e que haverá "um período transitório de inflação elevada" quando as campanhas salariais do segundo semestre de 2011 estiverem ocorrendo, entre elas a dos bancários.

E nesta sexta-feira 6 fez um apelo à população para que pare de consumir. "Se quiser adiar o consumo, moderar o consumo presente para consumir mais à frente, este é o momento de fazê-lo, pois o rendimento das aplicações financeiras está em elevação, em função da política monetária", disse o presidente do BC em audiência pública a várias comissões do Congresso Nacional.

Tombini dá assim claras demonstrações de que desconhece a vida real e está cedendo às chantagens e mais uma vez se aliando ao mercado financeiro. 

Ao afirmar que "o rendimento das aplicações financeiras está em elevação", ele confessa que a política monetária que está implantando não serve para defender a moeda, nem para conter a inflação e muito menos para distribuir renda, mas sim para favorecer os especuladores, que vivem de sugar o povo brasileiro. 

"Afinal, o 1,25% de aumento da taxa Selic promovida pelo Banco Central na gestão Tombini representou a transferência de aproximadamente R$ 19 bilhões do suor e trabalho do povo brasileiro para os especuladores e rentistas", critica Marcel Barros, secretário-geral da Contraf-CUT.

Ao desestimular o consumo, Tombini faz exatamente o oposto do chamado feito pelo ex-presidente Lula em dezembro de 2008, quando foi à televisão incentivar a população brasileira a não parar de consumir - um dos fatores que afastou a crise financeira internacional e manteve o Brasil no rumo do crescimento econômico, com a distribuição de renda que se conhece.

O presidente do BC quer agora fazer o caminho inverso, como os neoliberais de governos passados, quando os salários foram achatados e nem por isso a inflação foi contida. E o resultado foi o que conhecemos:estagnação, crescimento medíocre do PIB, vulnerabilidade às crises internacionais, empresas fechadas, desemprego, aumento da concentração da renda e miséria.

"Ao eleger Dilma Roussef presidente da República, o povo brasileiro deu um claro sinal de que não deseja retornar aos tempos de sofrimento e desesperança", diz Carlos Cordeiro, presidente da Contraf-CUT. "O que se pretende é um país voltado para o futuro, para o desenvolvimento e distribuição de renda. E para isso o Banco Central precisa mudar a sua rota, para que a promessa da presidenta de acabar com a miséria possa realmente ocorrer." 


Fonte: Contraf-CUT