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Estudo constata que bancários sofrem mais com problemas mentais
11/10/2007

O crescimento dos casos de distúrbios psicológicos entre trabalhadores preocupa autoridades em todo o mundo. Essa é uma das razões que levou a Organização Mundial da Saúde (OMS) a definir 10 de outubro como o Dia Mundial da Saúde Mental. 

Segundo recente pesquisa da Universidade de Brasília (UnB), em parceria com o INSS, a saúde mental é mais afetada pelo trabalho do que indicam os atestados médicos. Um dos dados é relevante: 48,8% dos trabalhadores que se afastam por mais de 15 dias sofrem com algum problema de saúde mental. O principal deles é a depressão. 

Bancários - Para os bancários, o problema é ainda mais grave. Os dados da pesquisa mostram que esses trabalhadores correm um risco duas vezes e meia maior de se afastarem do trabalho por mais de 15 dias consecutivos por problemas mentais do que os trabalhadores de indústrias de fabricação de produtos químicos, ou ainda, duas vezes maior que aqueles das indústrias de fabricação de produtos de metal. “É preciso mais consciência de que há profissões que realmente afetam a saúde mental das pessoas”, diz a chefe do laboratório da UnB e coordenadora da pesquisa, professora Anadergh Barbosa-Branco. 

O que levou as entidades e fazer o levantamento foi a disparidade nos números do INSS entre os auxílios simples, considerados sem relação com o trabalho, e os acidentários, causados pelo trabalho. Mais de 99% dos benefícios concedidos por transtornos mentais foram considerados como não relacionados ao trabalho. “O resultado das pesquisas deixou claro que há forte subnotificação, como sempre dissemos”, diz o secretário de Saúde do Sindicato, Walcir Previtale Bruno. 

A pesquisa mostra ainda que existem fatores relacionados ao trabalho dos bancários (estresse, responsabilidade, pressão de chefe, entre outros) que afetam mais a sua saúde mental. Segundo a professora, esses fatores estão sendo mascarados porque a imensa maioria das licenças expedidas apresenta como causa do afastamento a vida particular de cada trabalhador. 

Estabilidade - Ela avalia que os afastamentos não aparecem como doenças ligadas ao trabalho porque quem recebe auxílio doença acidentário tem um ano de estabilidade no emprego quando volta a trabalhar. “E isso os empregadores procuram evitar ao máximo", alerta a professora. Além disso, há dois grandes fundos para os quais as contribuições previdenciárias vão. Um com recursos financiados pelas empresas, que se destinam ao pagamento das licenças por doenças e acidentes de trabalho, e outro financiado por todos aqueles que contribuem para a Previdência Social. Os trabalhadores afastados acabam caindo no bolo maior, maquiando a real dimensão dos problemas laborais e diminuindo a responsabilidade das empresas. 

“É muito positivo que tenhamos agora uma pesquisa mais ampla que comprove dois pontos que já sabíamos verdadeiros a partir da nossa experiência 
prática: a intensa pressão e o assédio moral dentro dos bancos prejudica muito os bancários, e os banqueiros fazem de tudo para não serem responsabilizados por isso”, afirma Walcir. 

Em 2001, o Ministério da Saúde lançou o Manual de Doenças Relacionadas ao Trabalho. O capítulo 5 é todo dedicado à saúde mental. Veja algumas doenças listadas no documento: 

* Transtorno cognitivo – alteração da memória, da orientação, da capacidade de aprendizado e redução da capacidade de concentração em tarefas prolongadas; 
* Alcoolismo crônico relacionado com o trabalho; 
* Estresse pós-traumático – pessoa é testemunha de eventos no local de trabalho os quais decorrem mortes ou ferimentos graves; 
* Neurastenia (incluindo síndrome da fadiga) – presença de fadiga constante, acumulada ao longo de meses ou anos em situação de trabalho em que não há oportunidade de obter descanso necessário e suficiente; 
* Transtorno do ciclo vigília-sono devido a fatores não orgânicos; 
* Episódios depressivos – humor triste, perda de interesse e prazer nas atividades cotidianas, sensação de fadiga aumentada em decorrência de frustrações cotidianas no ambiente de trabalho, excesso de competição, perda do posto de trabalho e outras perdas ao longo dos anos, demissão. A depressão também pode ser desencadeada por contato constante com substâncias como tolueno, solventes orgânicos, metais pesados, etc. 

*Sindicato dos Bancários de São Paulo