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BB apresenta à Contraf proposta de PCR, conquista da Campanha de 2010
11/03/2011

Uma das conquistas mais significativas para o funcionalismo do Banco do Brasil na Campanha Nacional de 2010 - o Plano de Carreiras e Remuneração (PCR) - voltou a ser assunto principal de mais uma rodada de negociação permanente entre a Contraf-CUT, federações e sindicatos, assessorada pela Comissão de Empresa dos Funcionários do BB, e os representantes da instituição financeira. Iniciada na manhã desta quinta-feira (10), a reunião, encerrada por volta das 14h, também foi marcada pela apresentação do projeto das agências complementares. Os trabalhadores aprovam, com ressalvas, a chamada bancarização de comunidades e/ou municípios desassistidos por bancos públicos.

Na primeira parte da negociação, a segunda realizada este ano, os representantes do BB detalharam o PCR. Em slides, o banco apresentou um modelo de como será o extrato de pontuação por metas, que deve ser disponibilizado no Sisbb até 31 de março. De acordo com a instituição financeira, mediante o exercício de comissões, o funcionário terá uma pontuação diária para promoção por mérito. A cada 1.095 pontos, o bancário avança um nível na tabela por mérito. A pontuação diária de cada comissão é definida de acordo com o Valor de Referência (VR) da comissão.

"O banco ainda não sabe ao certo quantos bancários serão beneficiados de imediato com a implantação do PCR. No entanto, estimamos que o plano impacte positivamente para mais de 20 mil pessoas de todo o país neste primeiro momento. Sabemos que não é o PCR de nossos sonhos, mas é o que foi possível ser viabilizado neste momento", afirma Eduardo Araújo, coordenador da CEBB.

Os sindicalistas sustentaram o pedido de um adiantamento de valores com acerto na folha de abril próximo. O BB, porém, não admitiu a possibilidade desse pagamento.

Um dos negociadores do banco, José Roberto garantiu que a verba por mérito deve constar na folha de abril. Ao ser questionado pela CE sobre as dúvidas que surgirão em torno do PCR, o representante do BB admitiu a possibilidade de criar uma espécie de tira-dúvidas aos bancários. Ele não esclareceu se o canal de comunicação será por meio de e-mail e/ou de telefone. "Vamos montar um sistema para atender as dúvidas. Pode haver um grau de dúvida e de incerteza que será minimizado com nosso plano de comunicação", admitiu José Roberto. 

Com o PCR, alguns bancários podem receber reajustes de até 15,6%. O incremento na folha será retroativo a setembro, data-base da categoria. "É importante que os bancários chequem, em sua folha, se as comissões exercidas desde junho do ano passado estão devidamente detalhadas. A migração vai ser com base nessa informação", informa Rafael Zanon, representante da Federação dos Trabalhadores em Empresas de Crédito do Centro Norte (Fetec-CN) na CE e diretor do Sindicato dos Bancários de Brasília. Quem perdeu ou abriu mão de comissão de 2006 para cá também será beneficiado na carreira de mérito.

Incorporados

Os bancários egressos dos bancos incorporados pelo BB serão incluídos no PCR, de acordo com os representantes do banco. Ao contrário dos demais funcionários concursados, que terão o seu histórico considerado desde 2006, os trabalhadores oriundos de outras instituições financeiras serão avaliados de forma diferente. O BB vai levar em conta o tempo a partir da migração desse segmento do funcionalismo. "Pretendemos avançar nas negociações para que esses trabalhadores tenham os mesmos direitos dos demais. Levaremos as reivindicações para a mesa de negociação", observa Sérgio Reis, representante da Federação do Rio de Janeiro e do Espírito Santo na CEBB.

Agências complementares 

Para cumprir a meta de o BB estar presentes em todos os 5.465 municípios do país até 2015, estabelecida ainda durante o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o banco apresentou aos bancários um resumo do projeto de implantação das agências complementares. O objetivo do banco é abrir 250 unidades até o final de 2011. 

Apesar de aprovar a iniciativa de levar o banco aos pequenos municípios e, com isso, aumentar a inclusão bancária no país, a Comissão de Empresa vê problemas no plano de expansão. As preocupações da CE vão desde as metas, a segurança e ao número reduzido de funcionários por agência. O BB quer apenas dois bancários por unidade. "O número é muito pouco e pode sobrecarregar um bancário quando o outro ficar doente, por exemplo. Além disso, já que esse é um projeto social da instituição, não deveria ser exigida lucratividade desses postos", ressalta Cláudio Luiz, representante da Federação dos Trabalhadores em Empresas de Crédito de São Paulo (Fetec-SP) na CE. 

A Contraf-CUT recomenda aos sindicatos de todo o pais debaterem o projeto e apresentarem suas sugestões e críticas à proposta que prevê a contratação de correspondentes como serviço complementar. Em paralelo, os sindicalistas informaram ao BB que irão denunciar os correspondentes bancários irregulares. "Não permitiremos em hipótese alguma a precarização do trabalho bancário", avisa Eduardo Araújo. 

A próxima edição do Espelho nacional trará mais detalhes sobre o PCR e agências complementares. A revista publicará algumas das tabelas apresentadas pelo BB sobre a carreira de mérito.


Fonte: Rodrigo Couto - Rede de Comunicação dos Bancários – 10/03/2011