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Bradesco diz que é o banco do planeta, mas não cuida do meio ambiente
04/06/2009

Enquanto a Semana do Meio Ambiente começa com diversas ações com foco na proteção e consciência ambiental, algumas empresas preferem só fazer de conta que se preocupam com o tema. Na quarta-feira, dia 27, data que marca o início das atividades que se estendem até 5 de junho, cerca de 40 barcos de pescadores fizeram um mutirão para retirar o lixo das águas do Guaíba, em Porto Alegre. Enquanto isso, o Bradesco, que se intitula o banco do planeta, mais uma vez deixa o discurso longe da prática. 

A constatação foi feita também na Capital dos gaúchos. Kais Ismail, diretor da Bike-Entrega, levou ao Bradesco a proposta de adotar o serviço realizado por ciclistas em função dos benefícios que a medida representa para a qualidade do ar. "A resposta foi que trabalham sistema motorizado há mais 12 anos. Ou seja: estão há mais de uma década pagando para destruir o planeta", critica. 

Para aqueles que alegam que Ismail se decepcionou por estar defendendo o próprio negócio, ele tem a resposta na ponta da língua: quer que as empresas contratem serviços que não poluam, não necessariamente o seu. "Precisamos de mais empresas que usem as bicicletas como veículo para aumentar o efeito positivo que elas trazem", defende. A crença na necessidade de cuidar do meio ambiente veio bem antes da criação da Bike-Entrega. Ismael vendeu o carro há muito tempo, e passou a fazer tudo de bicicleta. 

É um defensor do veículo como forma de diminuir os impactos da poluição. Para se ter uma idéia da força das bicicletas nesse processo, em quase um ano de atividades, os bike-boys já percorreram 30 mil quilômetros para atender aos mais de dois mil chamados recebidos. Com isso, cerca de 3,2 mil quilos de CO2 - principal gás responsável pelo fenômeno do aquecimento global - deixaram de ser lançados na atmosfera, nesse período. Segundo dados do Instituto Akatu, uma pessoa que faz um trajeto mensal de 140 quilômetros de bicicleta evita a emissão de 15 kg de CO2. 

A decepção com o Bradesco foi tão grande que Ismael fechou sua conta no banco. "Eu era cliente porque acreditava na imagem da empresa associada ao meio ambiente. Mas fiquei chocado com o que vi", relata. Entre os bancos, a Bike-Entrega tem como cliente a Superintência do Banco do Brasil em Porto Alegre. "É muito bacana a consciência dos bancários, pois, depois que ficaram sabendo da iniciativa, muitos passaram a optar pelos ciclistas para suas entregas pessoais", diz, empolgado. 

Menos poluição, mais saúde 

E medidas que reduzam a poluição ambiental são urgentes para a cidade. O ar respirado atualmente pelos porto-alegrenses está fora dos padrões determinados pela Organização Mundial de Saúde (OMS). A Capital gaúcha, assim como São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Curitiba e Recife, foi reprovada por pesquisa realizada pelo Laboratório de Poluição da USP, em conjunto com seis universidades federais, sobre a qualidade do ar nessas localidades. 

O mesmo estudo - divulgado pelo Jornal O Estado de São Paulo - apontou os custos da poluição para a saúde e o bolso da população. De acordo com o levantamento, são precisos R$ 14,00 por segundo para tratar sequelas respiratórias e cardiovasculares de pessoas vítimas do excesso de partícula fina (poluente da fumaça do óleo diesel). O valor é gasto por unidades de saúde públicas e privadas das seis regiões metropolitanas averiguadas. 

Fonte: Imprensa/Seeb Porto Alegre - 29/05/2009