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Unibanco demite bancária que fez denúncia ao Comitê de Ética
02/04/2008

Uma das principais características de um comitê de ética é a confidencialidade e a garantia de proteção a quem o procura para fazer alguma denúncia. Mas essa não parece ser uma prioridade no Comitê de Ética do Unibanco, a julgar por recente episódio ocorrido em uma agência da Região 14, em São Paulo.

Segundo uma bancária (que prefere não se identificar), as pessoas que ocupam os cargos de gerente-geral e gerentes pessoa jurídica na agência cometeram graves irregularidades para elevar artificialmente os resultados da agência e assim bater a meta, ao realizar operações na conta de um cliente sem o seu conhecimento. A bancária denunciou o fato ao Comitê de Ética do banco e cerca de duas semanas depois foi demitida. O motivo: quebra de confiança.

Nova senha - Todo o ocorrido foi relatado pela ex-funcionária do Unibanco em uma carta endereçada ao comitê no dia 22 de janeiro de 2008. Ela conta que os gerentes realizaram operações no valor de R$ 11 mil na conta de um cliente sem a sua solicitação nem autorização. Para isso, solicitaram reemissão de senha e utilizaram a senha master, de uma forma que o dinheiro não passou pela conta do cliente e ficou somente no fluxo do caixa.

“A agência realmente bateu a meta, porém de uma forma desonesta. Isso mostra que essas pessoas ocupam um cargo de grande responsabilidade e que não estão preparadas para tal”, disse a bancária.

Ela explica que o cliente escolhido para a operação tinha uma situação financeira complicada e estava inadimplente com a agência. “Quando o cliente souber do ocorrido ele vai querer tomar satisfação e providências legais contra o banco, gerando custos altíssimos e denegrindo a imagem, por causa de funcionários desonestos e irresponsáveis. Eu me senti na obrigação de denunciar pois algum dia todos os funcionários honestos da agência poderiam ser responsabilizados por isso. Mas acabei demitida.”

Confidencialidade? - Junto com a carta, a ex-funcionária enviou a fita do caixa utilizado para a operação. Antes de enviar a carta e a fita, ela entrou em contato com um funcionário do Comitê de Ética e se identificou. O membro do Comitê garantiu confidencialidade, e então a carta foi enviada sem identificação do remetente e contendo todos os detalhes da transação. Duas semanas depois, no dia 7 de fevereiro, a denunciante foi demitida. Passadas algumas semanas, uma colega sua que também sabia do ilícito e se posicionou contrariamente a ele também foi demitida sem explicações.

Fonte: Sindicato dos Bancários de São Paulo  -  31/03/2008