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Santander terá ponto eletrônico em agências e postos até junho
19/03/2008

Em reunião do Comitê de Relações Trabalhistas (CRT), realizada nesta terça-feira, dia 18, no Casa 1, em São Paulo, trabalhadores do Santander, representados pela Comissão de Organização dos Empregados (COE), obtiveram a garantia do banco de que o ponto eletrônico será instalado em todas as agências e postos até junho. Os negociadores do banco também afirmaram que em maio será concluído o estudo para mudar os procedimentos envolvendo o pagamento do quilômetro rodado e o reembolso das despesas de viagens a serviço da empresa.

“O ponto eletrônico é uma conquista da luta dos bancários contra a extrapolação da jornada de trabalho e é fundamental a sua extensão para todos os locais de trabalho”, destaca o diretor do SindBancários e da Afubesp, Ademir Wiederkehr, que participou da reunião. “Vamos ficar de olho para que as medidas prometidas garantam o adiantamento para despesas de viagens e o reajuste do quilômetro rodado, cujo valor está congelado há mais de cinco anos”, salienta o dirigente.

Isenção de tarifas

Os trabalhadores reivindicaram isenção de tarifas para empregados da ativa, aposentados e pensionistas do banco, bem como aos funcionários da Cabesp e do Banesprev. Após discussão, os bancários conquistaram a extensão do pacote de serviços (tarifas), que era direito apenas aos empregados do banco, também para os funcionários diretos da Cabesp e do Banesprev. O procedimento será implantado a partir de maio. “Trata-se de mais um avanço, fruto da pressão das entidades, incluindo, assim, um conjunto de trabalhadores que não tinha qualquer isenção de tarifas”, ressalta Ademir.

Demissões

Os bancários não aceitaram as explicações do Santander a respeito das demissões sem justa causa que vêm ocorrendo em todo país e dirigidas especificamente a trabalhadores próximos à estabilidade pré-aposentadoria ou àqueles cujo tempo de estabilidade pós-afastamento por motivos de saúde termina. O banco insistiu que não há orientação para demissões neste sentido e que as que estão ocorrendo são “normais”. “Antes de tudo, é lamentável o banco falar em demissão normal, pois elas não têm nada de normal. E quando são dirigidas é pior ainda, pois atingem uma parcela dos trabalhadores que merece ainda mais respeito”, disse o coordenador da COE e diretor do Sindicato de São Paulo, Mário Raia. “É extremamente cruel e reflete inclusive nos resultados e na imagem do banco perante a sociedade aposentados”. Os dirigentes sindicais reivindicaram o fim das demissões e contratação de funcionários para acabar com a carência de pessoal e as filas nas agências e postos.

Pressão das metas

Os dirigentes sindicais relataram novos casos de pressão das metas nas unidades. Foi apresentada planilha de metas para caixas, que agora foram batizadas de “ambição” em Novo Hamburgo. “A cobrança excessiva e desumana por resultados está ampliando os pedidos de demissões e provocando o adoecimento de funcionários”, denunciou Ademir. Em Porto Alegre, ocorreram cinco demissões e cinco pedidos em fevereiro, sendo que na primeira quinzena de março já aconteceram seis demissões e quatro pedidos. Vários empregados têm buscado atendimento médico. “A microbase na Superintendência Regional virou um Big Brother, onde os gerentes são vigiados o tempo inteiro, aumentando ainda mais a pressão e o estresse no trabalho. Isso tem que acabar”, enfatizou o representante gaúcho. Os negociadores do banco anotaram as informações e ficaram de verificar todos os casos apontados.

Horário de amamentação

Já é direito conquistado pelas trabalhadoras do banco o tempo de uma hora para amamentação, podendo ser dividida em dois períodos, durante 270 dias. Agora foi reivindicado que o direito valha também para o pai, caso ambos trabalhem no banco. Também foi reivindicado que o funcionário ou a funcionária possa optar pela hora de amamentação ou por um acréscimo de 15 dias no período de licença-maternidade. “Isso já vale para os funcionários do Santander na Espanha e exigimos agora o mesmo para os brasileiros”, justificou a diretora do Sindicato de São Paulo, Rita Berlofa. O banco vai estudar o assunto.

Uniforme

Os bancários também pediram a retirada da marca Santander nos uniformes do banco. “Vários funcionários foram vítimas de seq”uestros no Rio de Janeiro”, denunciou o diretor da Federação dos Bancários do RJ/ES, Cláudio Garcez. O banco ficou de analisar a reivindicação.

PLR para aposentados

Outra reivindicação feita na reunião foi para o pagamento da Participação nos Lucros e Resultados (PLR) e o seu adicional proporcionais para os aposentados em 2007. “Entendemos que o aposentado também contribuiu para o resultado da empresa, portanto tem direito de receber a sua parte”, acrescenta Rita. O banco ficou de dar resposta.

Liberdade de organização sindical

Outra demanda aceita pelo banco foi a manutenção do acesso do Sindicato nos locais de trabalho para a entrega de jornais e o diálogo com os funcionários. Foi conquistado o direito de reuniões com os trabalhadores, desde que agendadas com antecedência. O banco também acatou a proposta de apresentação de uma ficha de sindicalização no momento da admissão de novos funcionários. Os formulários, depois de assinados, serão devolvidos para a Superintendência de Relações Sindicais, onde serão retirados pela Contraf, que os enviará aos sindicatos.

Ata da negociação

O SindBancários pretende divulgar nesta quarta-feira, dia 19, a ata da reunião, que também incluirá os temas discutidos no encontro anterior, ocorrido no último dia 7. O documento ainda está sendo revisado pelos representantes do banco.

Fonte: SEEB-Porto Alegre/SEEB SP/Afubes