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Seminário em Defesa dos Bancos Públicos debate os altos lucros do sistema financeiro e criminalizaçã
20/06/2016

Terceira mesa de debates contou com Mariana Dias (UNE), Gilmar Mauro (MST) e o professor de economia, Ladislaw Dowbor

 “Os recursos que deveriam ir para saúde, segurança e educação, vão direto para os lucros dos bancos”, afirmou o professor de Economia da PUC-SP, Ladislaw Dowbor, no início da terceira e última mesa do 1º Seminário Nacional em Defesa dos Bancos Públicos, realizado nesta sexta-feira (17), no Hotel Holiday Inn, no Anhembi, em São Paulo.

De acordo com o professor, para a economia funcionar precisa de quatro motores: exportação, que depende mais dos preços mundiais, do que da população; a demanda das populações e a oferta de crédito; a atividade das empresas, vital para a economia; e a dívida pública. “Os três últimos estão diretamente ligados às taxas de juros e ao sistema financeiro brasileiro, que é onde começa o problema”, explicou Dowbor.

Altos juros

“Na França, são cobrados 3,5% de juros ao ano no crédito para a população. Aqui a média é de 104%. Por isso, a população endivida-se, entra no cheque especial ou rotativo do cartão, que cobram juros exorbitantes”, ressaltou ao comparar as taxas praticadas no Brasil com as de outros países.

Em relação às atividades das empresas, o professor disse que hoje vale mais a pena investir do que produzir. “A taxa sobre a dívida pública no Brasil é 14,25%. A empresa, ao invés de investir no país, prefere fazer aplicações financeiras em títulos do governo, sem risco”, critica.

Dowbor aponta, ainda, que os bancos lucram com dinheiro da população, usam recursos dos correntistas para lucrar com papéis do governo, que, por outro lado,  são pagos com dinheiro dos impostos. Resumindo, só ganham. “No ano passado, mais 500 milhões de reais foram transferidos dos impostos para instituições financeiras no país. Esse dinheiro poderia servir pra saúde, educação, segurança, mas vai direto para o lucro dos bancos.”

Criminalização dos movimentos sociais

“Em 1964, a população não sabia que estava ocorrendo um golpe. Hoje, temos internet e movimentos sociais atuantes, mas ainda assim a população continua assistindo à rede globo, enquanto o golpe está acontecendo. Fazer uma resistência no Brasil é caro, mas é preciso preservar esse poder, para reconstruir a democracia”. As afirmações são de Mariana Dias, secretária de relações internacionais da UNE, durante a terceira mesa do seminário,  “Todos na Resistência pelos Bancos Públicos”. 

Mariana comparou o governo interino e ilegítimo de Michel Temer ao de Fernando Henrique Cardoso e observou que o projeto de privatizações pode ser bem mais drástico. “Temos a reforma da previdência, está vindo também um processo muito forte de privatizações e muito mais cruel. Os trabalhadores dos bancos privados sabem como as empresas funcionam. Há o sucateamento das universidades. Temer quer ir além do que FHC não conseguiu fazer. É preciso barrar esse processo”, pontuou.

A nossa existência também está em risco, disse a estudante, ao se referir à CPI instalada contra a entidade no Congresso Nacional. “Há um processo de criminalização e discriminação contra os movimentos sociais. A CPI é da UNE, mas essa CPI poderia ser de qualquer uma das entidades presentes aqui. Eles querem nos enfraquecer, nos destruir, precisamos retirar tudo o que nos impede de construir a democracia”, finalizou.

“Se mexer com a UNE, com os bancários ou com os sem terra, vai mexer com todos nós”

A declaração acima, de Gilmar Mouro, do MST, arrancou aplausos de todos os participantes do Seminário. Ele lembrou ainda que, a exemplo do que está acontecendo com a UNE, o Congresso Nacional conservador também tentou criminalizar o MST. O movimento foi objeto de quatro Comissões Parlamentares de Inquérito (CPIs).  “Para eles, é preciso derrotar as representações do movimento sindical e outras organizações populares, além da fragmentação das categorias, para consolidar o golpe”, acrescentou.

Gilmar Mauro também ressaltou, que no último período, os camponeses brasileiros tiveram acesso a linhas de crédito, graças à política de fortalecimento do BB e da Caixa, para serem fomentadores do desenvolvimento econômico e social.

“Vamos estar com vocês onde quer que seja, na defesa da Caixa Econômica Federal e do Banco do Brasil, e vamos resgatar o importante papel que os bancos públicos têm para o desenvolvimento social do povo brasileiro”, assegurou. 

 

Fonte: Rede Nacional de Comunicação dos Bancários - 17/06/2016