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Bancos são os que mais registram doenças ocupacionais no país
11/01/2008

 

Foram nada menos do que 2.652 casos registrados através da Comunicação de Acidente de Trabalho (CAT), de acordo com reportagem publicada nesta quinta-feira, dia 10, pelo jornal Valor Econômico. Os dados são os mais recentes disponíveis e, em 2007, eles tendem a ser ainda maiores.

“Está registrado em números o que o Sindicato alerta e os bancários conhecem na prática há muito tempo. A categoria está adoecendo pelas más condições de trabalho e metas abusivas impostas pelas instituições financeiras”, diz Walcir Previtale, secretário de saúde do Sindicato de São Paulo. “Os principais casos que chegam a nós são de LER/DORT e de transtornos mentais, decorrentes da falta de política de prevenção e da pressão constante por metas abusivas”, detalha.

Os números tendem a ser ainda maiores no balanço de 2007, pois em maio desse ano entrou em vigor o nexo técnico epidemiológico, mecanismo que classifica como ocupacional uma doença diagnosticada pelo trabalhador que está em uma função na qual a moléstia é considerada de grande incidência. Desde então, o número de afastamentos por doenças dessa natureza triplicou.

SAT

O alto índice de adoecimento de bancários refletiu-se também no valor da alíquota de contribuição dos bancos para o Seguro de Acidente de Trabalho (SAT). Ela subiu de 1% para 3%, a maior possível. Ou seja, o setor está entre os que mais oferece riscos para a saúde dos empregados.

Outros exemplos de setores da economia que pagam os 3% e, portanto, oferecem o mesmo grau de risco que os bancos, são construção civil; alguns da metalurgia, como produção de materiais em aço; transporte aéreo de passageiros e qualquer atividade relacionada à rede de esgotos. Em outras palavras, trabalhar em banco é tão perigoso para a saúde quanto construir um prédio, produzir aço, voar ou limpar uma rede de esgotos.

“Os bancos têm lucros astronômicos e nada justifica a falta de condições de trabalho. Até porque as empresas reconhecem que seus bons resultados estão diretamente ligados ao desempenho dos bancários”, completa Walcir.

Fonte: Seeb São Paulo Publicado em 10/01/2008