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Professor da UFRGS aponta Marx como um dos melhores entendedores do capitalismo
30/08/2011

O 5º módulo do Diálogos para Ação reuniu na manhã desta sexta-feira , 26, delegados e dirigentes sindicais de todo o Estado para dar continuidade ao curso de extensão “O Marxismo ontem e hoje” – parceria entre a Fetrafi-RS, o SindBancários e a FAPA. O palestrante desta etapa do curso, Dr. Eduardo Maldonado Filho, expôs o tema “Crítica à economia política”.


O professor da UFRGS começou a explanação fazendo um amplo retrospecto da história do Capitalismo, com a evolução do Neoliberalismo Econômico e as crises que ocorreram desde o período do pós-guerra até o momento atual. Maldonado ressaltou as semelhanças entre as crises de 1929 e de 2008. “Semanas antes do crash da bolsa de Nova York de 29, os cientistas econômicos estavam otimistas em relação à economia. Assim como na recente turbulência, os especialistas não souberam prever a grande crise que se aproximava. Isto mostra que as teorias econômicas seguidas estavam de alguma maneira equivocadas”, diz o pesquisador.

Maldonado afirma que diversos analistas admitem controvérsias na teoria econômica atual. “Os economistas observam que há algo errado nas análises, pois não deu conta dos problemas que surgiram. Existe um reconhecimento de um grande número de pessoas importantes na área. Porém, o neoliberalismo não pode ser considerado um sistema em crise, pois ele sobrevive e continua no papel principal das discussões econômicas”, ressalta o professor.

O palestrante apresenta duas saídas para a situação atual. “Podemos aceitar que a teoria econômica liberal tem validade, e ela já errou feio duas vezes, primeiro na grande depressão de 29 e recentemente, em 2008. A outra posição é voltar aos ‘anos dourados’ do Capitalismo (pós-2ª Guerra Mundial), baseado principalmente na produção e mercado internos. Mas esta é uma atitude ingênua na conjuntura atual”, declara.

Eduardo afirma que, atualmente, os principais pensadores da economia admitem que Marx foi um dos melhores teóricos que soube interpretar o Capitalismo e seus problemas futuros. “Diversos autores já citaram que é preciso se recorrer ao pensamento de Marx - o que é diferente de Marxismo - para salvar o sistema. Não há Capitalismo sem crise, a seriedade e a diferença desta crise é que ela ocorre no centro do sistema. Não haverá revolução social se o centro do capitalismo não a fizer também”, aponta o professor.

*Imprensa Fetrafi-RS