Webmail

Itaú chama polícia para reprimir protesto contra demissões em Porto Alegre
14/07/2011

O Itaú Unibanco chamou a Brigada Militar para reprimir o ato dos bancários na manhã desta terça-feira, dia 12, em Porto Alegre. A atividade, que se encerrou às 12h, tinha como objetivo protestar contra as demissões, as metas abusivas, o assédio moral, a jornada excessiva e o desrespeito aos clientes e usuários do sistema financeiro. 

O representante dos bancos no Grupo de Segurança Bancária, Jacy Meyer, funcionário do banco, recorreu à polícia no intuito de desestabilizar o protesto, que ocorria na agência da Siqueira Campos, onde também funciona a Superintendência Estadual do Itaú Unibanco. Cerca de oito viaturas foram até o prédio reprimir o ato. 

Participaram diretores do Sindicato dos Bancários de Porto Alegre e Região (SindBancários), da Federação dos Trabalhadores e Trabalhadoras em Instituições Financeiras do Rio Grande do Sul (Fetrafi-RS) e da Contraf-CUT.

"Além de agredir os bancários, a ação da polícia foi truculenta e sem necessidade. O banco teve uma atitude duplamente intransigente. Além de não negociar com os representantes dos trabalhadores o fim das demissões, chama a polícia para reprimir um ato passivo. O Itaú Unibanco segue nesta política de demitir antigos trabalhadores para colocar novos", afirmou o diretor administrativo do SindBancários e funcionário do Itaú, Célio Romeu dos Santos.

"O prédio onde ocorreu nosso ato será atingido pela política nefasta do banco. O Centro de Processamento de Serviços de Agência (CPSA) vai fechar. Esses funcionários não têm ideia para onde irão ser realocados, pois o banco não dialoga. Enquanto a onda de assaltos a bancos segue em alta, o Itaú mostra a sua força ao mobilizar diversas viaturas para reprimir uma manifestação de trabalhadores. E ainda deixaram três policiais de plantão nos observando", observa a diretora de Aposentados do SindBancários e funcionária do Itaú Unibanco, Catia Cilene. 

"O banco disse que não vai rever as demissões, então nós vamos seguir com o calendário de mobilização. Além do mais, condenamos o banco por ter chamado a polícia para tentar intimidar o nosso ato. Nós temos o direito de nos manifestarmos", acrescenta o diretor do SindBancários e empregado do banco, Antonio Augusto Borges, o Guto. 

Para o diretor da Fetrafi-RS e também empregado do Itaú Unibanco, Arnoni Hanke, esta foi mais uma atividade que demonstrou a insatisfação dos trabalhadores com a onda de demissões. "O descontentamento se reflete tanto pelas más condições de trabalho, com metas, falta de pessoal, acúmulo de funções, e pelo temor de ser o próximo a ser demitido", ressalta o dirigente. 

Desde a fusão entre os dois bancos, anunciada em 2008, já ocorreram cerca de 7 mil demissões. Na ocasião, os diretores do Itaú e do Unibanco afirmaram que não haveriam desligamentos. O que ocorre hoje é bem o contrário. Por isso, o mote da campanha é "Eles mentem e estão demitindo".

O Itaú Unibanco lucrou R$ 3,53 bilhões no primeiro trimestre deste ano, com crescimento de 9,2% em relação ao mesmo período de 2010, ano em que teve lucro líquido de R$ 13 bilhões. Apesar de apresentar o maior ganho do sistema financeiro brasileiro, o Itaú Unibanco não melhora o seu atendimento, ao contrário, prejudica o serviço e demite o que resulta em longas filas e atendimento precário.

Enquanto as demissões não tiverem um fim e o banco sentar para negociar com os trabalhadores, novas manifestações e paralisações de serviços acontecerão.


Fonte: Seeb Porto Alegre