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13ª Conferência: Bancários de bancos privados discutiram temas prioritários
20/06/2011

A mesa dos trabalhos do Encontro de Funcionários de Bancos Privados foi integrada pelo diretor da Fetrafi-RS, Arnoni Hanke, pelo secretário de Imprensa da Contraf/CUT, Ademir Wiederkehr e a pela diretora do Sindicato dos Bancários de Alegrete, Cláudia Casaroto. No início do evento, o representante da Contraf/CUT fez uma síntese do documento elaborado pela confederação sobre os principais temas que serão alvo de debates na Conferência Nacional dos Bancários, que acontece em julho, em São Paulo.

A primeira questão destacada pelo sindicalista foi o emprego estável. “Se analisarmos hoje a situação do emprego nos bancos, constatamos que ela está cada vez mais precária porque os bancos rodam demais os bancários. Nada justifica o setor estar dispensando tanto os trabalhadores para reduzir o custo de suas folhas de pagamento. Outro ponto importante é o emprego seguro, porque os bancários vivem com medo de assaltos e sequestros. Nós não podemos trabalhar tranquilos enquanto o risco de assalto for muito alto”, salientou Ademir.

Outros pontos questionados pelos bancários de bancos privados são a falta de plano de cargos e salários; os altos salários e bônus pagos às diretorias das instituições; a discriminação sofrida pelas mulheres, que recebem salários inferiores aos dos colegas homens, o que impede a igualdade de oportunidades nas instituições. Outro tema prioritário para os trabalhadores é a aposentadoria justa. Os bancários querem garantir boas expectativas para se aposentarem no emprego bancário.

A saúde do trabalhador foi outra questão pautada com ênfase durante o encontro. Os bancários têm adoecido cada vez mais devido à gestão desumana imposta pelos bancos, que não leva em conta os limites físicos e psíquicos dos trabalhadores. As práticas dos bancos estão baseadas na violência organizacional e no assédio moral.

“Temos debatido muito a questão das metas, propondo a participação dos trabalhadores na elaboração de metas”, avaliou Ademir.

Segurança Bancária

Os bancários também discutiram a necessidade de ampliar as ações na área da segurança bancária. Entre os avanços obtidos na Campanha Salarial 2010 está a cláusula que garante atendimento médico e psicológico para bancários que presenciaram assaltos, assim como o registro obrigatório do boletim de ocorrência. Hoje o movimento sindical bancário também tem acesso às estatísticas dos assaltos elaboradas pela Fenaban.

“De acordo com os números apresentados pelos bancos o número de assaltos diminuiu, mas isto se deve à pressão feita pelos bancários para melhoria dos equipamentos de segurança”, observou Ademir.

Uma das propostas do movimento sindical é o pagamento do percentual de 30% de adicional de risco de vida para os trabalhadores do setor, pela exposição ao risco de ataques a bancos.

Regulamentação do Sistema Financeiro

A regulamentação do artigo 192 da Constituição Federal, que estabelece os parâmetros de regulação para as práticas bancárias é outra prioridade apontada pelo Encontro de Bancários de Bancos Privados.

Terceirização

Segundo dados apresentados pelo diretor da Contraf/CUT atualmente, 31% do atendimento bancário é feito via caixa eletrônico e 23% através da Internet, sendo que um percentual semelhante já é realizado pelos correspondentes bancários. Os participantes do encontro destacaram a necessidade de ações mais contundentes da categoria no sentido de evitar a precarização do emprego bancário e proteger os postos de trabalho ameaçados pelo processo de terceirização.

Remuneração

O diretor do SindBancários, Everton Gimenis, disse que os bancários precisam fazer uma campanha salarial mais ofensiva, buscando um índice maior de reajuste. “Está comprovado que os bancos pagam a folha de pagamento apenas com as tarifas cobradas e ainda sobra dinheiro. Por isso, devemos propor um reajuste que estimule a categoria a entrar com tudo na mobilização”,

Assédio moral

O acordo estabelecido entre a Contraf/CUT e a Fenaban para resolução dos casos de assédio moral foi questionado pelo diretor do SindBancários, Mauro Salles. O sindicalista apontou uma série de fatores, que levaram a Fetrafi-RS e o Sindbancários, assim como a maioria dos sindicatos do interior do Estado a não assinarem o acordo.

“Na nossa avaliação não há garantia de que os casos de assédio serão solucionados. Com este acordo os bancos ganham tempo para reverter a situação sem se responsabilizar pelos danos causados às vítimas de assédio. Além disso, durante os 60 dias em que os bancos estão protegidos de denúncia pública graças ao acordo, enquanto o bancário pode ser submetido a outras práticas de assédio”, denunciou o sindicalista.

Outra questão salientada pelo dirigente é a ausência da utilização da denominação assédio moral na redação do acordo. “Isto individualiza o problema e caracteriza o assédio como um mero conflito de trabalho”, finalizou Salles.



Fonte: Imprensa Fetrafi-RS – 19/06/2011