Webmail

Artigo: "Pepinos, porcos e doenças"
07/06/2011

A pesquisadora mexicana, Sílvia Ribeiro, coordenadora do grupo ETC (Grupo de Ação sobre Erosão, Tecnologia e Concentração), organização internacional da sociedade civil com sede em Ottawa, Canadá, escreveu artigo sobre a mais nova epidemia que está assustando os europeus e que já matou mais de duas dezenas de pessoas no velho continente. Para Sílvia, o que é tratado como acidente é, em verdade, “algo cada vez mais freqüente, porque é uma conseqüência sistêmica” e“era de esperar, tal como o surgimento da gripe suína e da gripe das aves.”

Segundo a pesquisadora, “As autoridades sanitárias do governo alemão, onde primeiro se identificou a estirpe, acusaram os pepinos orgânicos espanhóis de serem os causadores da contaminação. Tiveram de retificar a acusação, porque era falsa, mas já tinham provocado grandes perdas. Acusam também os tomates e a alface, especula-se com o leite, a carne e a água engarrafada. Segundo o Instituto Robert Koch da Alemanha, trata-se de uma variante desconhecida, produto de recombinação de outras, que deu a nova E. coli entero-hemorrágica O140:H4. No princípio suspeitavam da E. coli O157:H7, que foi encontrada na carne picada de grandes empresas como a Cargill e que em 2008 levou à retirada de 64 milhões de toneladas de carne dos Estados Unidos e milhares de pessoas afectadas.”

Ribeiro aponta que a bactéria que teria provocado a epidemia é manipulada de forma intensiva e extensiva pela indústria agro-alimentar, sendo “um elemento importante na construção de transgênicos (agroalimentares, farmacêuticos e veterinários), são o vetor de fermentação da biologia sintética (manipulando com genes artificiais bactérias E. coli e leveduras, porque são rápidas e fáceis de usar), são o vetor para fabricar hormônios transgênicos (hormônio de crescimento bovino) para que as vacas produzam quantidades absurdas de leite que as põem doentes e nos provocam doenças.

Para a pesquisadora mexicana, “A presença de bactérias e vírus, normais ou por falta de higiene e outras condições, pode acontecer tanto nas pequenas produções locais, como nas grandes. Mas nas pequenas e descentralizadas, desde a criação animal às culturas, comércio e processamento de alimentos, fica focalizada ou diluída entre muitas outras fontes de diversidade animal e vegetal.”  E ela explica: “O certo é que graças à indústria agro-alimentar controlada por uma vintena de transnacionais globais, a comida deixou de ser necessidade, prazer e cultura para se tornar numa permanente ameaça à saúde”.


E Sílvia Ribeiro denuncia que “A verdadeira origem do desastre é o sistema agro-alimentar, que foi sequestrado pelas transnacionais, e que para ganharem mais, a nossa comida é transgênica, torna-nos obesos, tem menos nutrientes e está cheia de venenos, sejam químicos ou nano-tecnológicos”. 

“Consequentemente, o controle da segurança alimentar transformou-se numa máquina comercial que longe de favorecer a saúde pública e prevenir doenças, é um sistema seletivo de privilégios para as grandes empresas, para deslocar e impedir a produção e consumo de produtos camponeses, de pequenos produtores e de muitos países do Sul”, 
completa Sílvia.

Vale a pena ler o artigo de Sílvia Ribeiro em sua íntegra, que foi publicado no blog do jornalista Marco Aurélio Weissheimer. Para tanto, acesse http://rsurgente.opsblog.org/2011/06/07/pepinos-porcos-e-doencas/



Secretaria de Imprensa e Divulgação