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Bancários protestam contra discriminação no Dia 13 de Maio
17/05/2011

O dia 13 de maio, data lembrada como da Abolição da Escravatura, também tornou-se um marco de luta por mais contratações de negros, negras e pessoas com deficiência. A CUT-RS, o Sindicato dos Bancários de Porto Alegre e Região (SindBancários), a Federação dos Trabalhadores em Instituições Financeiras do RS (Fetrafi-RS) e a Associação do Pessoal da Caixa Federal no RS (Apcef), entre outras entidades, participaram do evento.



A partir do meio dia, na Esquina Democrática, centro de Porto Alegre, manifestantes com faixas, bandeiras e distribuição de panfletos anunciavam o objetivo da manifestação. 

A receptividade do público foi satisfatória. A maioria das pessoas abordadas permanecia alguns instantes questionando e conversando sobre o assunto. 

A categoria bancária demonstrou a sua união na luta contra o cenário de discriminação e exclusão vigente nos bancos e instituições financeiras.

Para o presidente do SindBancários Juberlei Baes Bacelo, o ato foi de extrema importância e fez com que a data assumisse uma nova conotação. “A abolição se transforma na luta dos que acreditam em uma sociedade diferente, igualitária e justa. Os afrodescendentes mais uma vez demonstram a sua importância e tornam-se símbolo da injustiça de uma sociedade que discrimina as minorias”, declarou. 

“Este é um protesto pelas coisas erradas que acontecem por conta da discriminação”, assim referiu-se à manifestação a diretora do SindBancários, Carmem Lucia Guedes. “Longe de ser uma data de liberdade e igualdade, o 13 de maio tornou-se um chamado à população para a nossa luta por oportunidades iguais”, afirmou a dirigente. 

O drama da marginalização econômica e da injustiça social que afeta os afrodescendentes no Brasil foi exposta. “O povo negro não tem o que comemorar, pois nesta data fomos jogados na sarjeta da sociedade, sem moradia, sem alimento e sem emprego”, enfatizou o diretor da Fetrafi-RS, Edson Moura. 

Sem exceção, todos estavam unidos pelo ideal de luta e protesto. “Estamos aqui para protestar contra a discriminação e a falta de oportunidades. Não é preciso muito para observarmos que os bancos, o sistema financeiro como um todo, raramente empregam negros, negras e pessoas com deficiencia”, destacou o diretor do SindBancários Mauro Salles Machado. 

Para a diretora da Fetrafi-RS, Denise Falkenberg Corrêa, responsável pela Diretoria pela Mulher Trabalhadora, “os bancos são um território de discriminação que reflete a sociedade que vivemos. Estamos aqui para sinalizar o nosso emprenho e luta pela reparação que os bancos devem à sociedade por conta da discriminação, principalmente a segregação que atinge as mulheres negras”, manifestou a dirigente. 

Segundo dados sobre a categoria bancária, coletados pelo censo de 2008 do IBGE, do total de funcionários do sistema financeiro no Brasil, apenas 8% são constituídos de mulheres negras e 18% de homens negros. Nos postos de maior ascensão a raça negra aparece com cerca de 1%. 

A Esquina Democrática foi o local escolhido por representar a diversidade na Capital gaúcha. Para a diretora da Fetrafi-RS, Isis Garcia Marques, “este é o local certo para difundirmos as nossas reivindicações e a cultura africana, a energia e a capacidade incontestável deste povo, que é parte fundamental na construção deste país”, observou. 



Pesquisas 

Pesquisa realizada pela Febraban, - Mapa da Diversidade -, comprova que os bancos discriminam negros, negras e pessoas com deficiência tanto no acesso ao emprego quanto na remuneração e na ascensão profissional. 

Alguns destes estabelecimentos não atingem o número determinado pela Lei das Cotas, aprovada em 1991, que determina que ao menos 5% dos funcionários de empresas com mais de mil empregados tenham deficiências. 

As pessoas com deficiências, quando contratadas, ainda recebem salários abaixo do piso previsto na Convenção Coletiva de Trabalho. Inclusão não pode significar a criação de duas classes de trabalhadores. O ato deste dia promoveu condições para que as pessoas com deficiência desempenhem funções iguais e recebam os mesmos direitos do restante dos trabalhadores.

*Imprensa SindBancários