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Bancários do Brasil, Argentina e Paraguai cobram direitos no Banco do Brasil
20/12/2010

Dirigentes da Contraf-CUT e de entidades sindicais do Brasil, Paraguai e Argentina realizaram uma negociação com o Banco do Brasil, na quarta-feira, dia 15, em Buenos Aires. O encontro aconteceu durante a 6ª Reunião Conjunta das Redes Sindicais de Bancos Internacionais, realizada nos dias 14 e 15, na capital argentina. O banco foi representado por João Inácio de Andrade Lima, gerente adjunto do BB em Buenos Aires, representando o gerente regional para a América do Sul.

Paraguai

Os trabalhadores cobraram questões relativas ao processo de internacionalização do banco, aprofundado nos últimos anos. Foi reivindicado junto ao banco uma solução para a situação do Paraguai, onde uma negociação coletiva se arrasta há dois anos. Além disso, os bancários exigiram o fim da perseguição a dirigentes sindicais, fato muito comum no país. O representante do banco afirmou que iria levar o tema a seus superiores e depois trará um retorno na próxima reunião.

Argentina

Os bancários reivindicaram a manutenção de todos os direitos dos trabalhadores do Banco Patagonia, na Argentina, em processo de aquisição pelo BB. O gerente afirmou que o banco já se comprometeu em documento formal com o cumprimento do acordo coletivo existente.

Também foi cobrada da empresa a assinatura de um acordo de Participação nos Lucros e Resultados (PLR) na Argentina, hoje inexistente. O representante da empresa se dispôs a levar a reivindicação para a diretoria do BB para que esta estude a possibilidade.

Uruguai

Foram solicitadas informações ao banco sobre a reabertura da agência do BB em Montevideo, acertada entre o presidente Lula e o então mandatário do Uruguai, Tabaré Vasquez, e que ainda não foi cumprida. O representante do banco alegou que a reabertura da agência depende de aprovação do Banco Central do Uruguai, o que ainda não ocorreu. No entanto, os representantes da Associação dos Empregados Bancários do Uruguai (AEBU) negam esse entrave e afirmam que a lentidão está com o Banco do Brasil.

Chile

Os bancários solicitaram ainda informações sobre um possível processo de aquisição de um banco no Chile por parte do BB. Segundo o representante da empresa, de fato foi realizada uma prospecção de mercado, mas não há ainda informações concretas para passar. Ele afirmou ainda que o BB pretende crescer na América Latina, uma vez que muitas empresas brasileiras estão atuando na região.

"Considerando a ação que o governo brasileiro fez de expansão na sua política externa, é mais do que correto que o banco oficial do governo também faça esse movimento, o que não vinha ocorrendo nos anos anteriores, em clara contradição com a política governamental", avalia Marcel Barros, secretário-geral da Contraf-CUT e funcionário do BB. "Nesse contexto, a assinatura de um acordo marco regulatório é fundamental para que não haja atritos com os trabalhadores dos bancos que venham a ser adquiridos pelo BB no exterior", completa.

Organização internacional

A 6ª Reunião Conjunta das Redes Sindicais de Bancos Internacionais reuniu exatamente 100 dirigentes sindicais do Brasil, Argentina, Uruguai, Paraguai, Chile, Colômbia, Peru, Estados Unidos, Guatemala, Costa Rica, Trinidad y Tobago e Espanha. O objetivo foi globalizar as lutas e garantir igualdade de direitos para todos os trabalhadores.

Nas discussões da rede dos dirigentes do Banco do Brasil, após debate sobre a situação precária dos bancários do Paraguai, ficou definido que a Contraf-CUT ficará responsável por elaborar a denúncia ao Ponto de Contato Nacional da OCDE, no Brasil, até fevereiro de 2011. Também será remetida denúncia por prática antissindical do BB no Paraguai junto à OIT.

As questões relativas às relações internacionais devem passar a ser debatidas na mesa de negociação permanente existente entre o BB e a Contraf-CUT.

Considerando que no âmbito do Mercosul são debatidos diversos protocolos e documentos, a UNI Américas Finanças deve buscar utilizar e participar dos fóruns do Mercosul para apresentar e debater os problemas relativos ao movimento sindical dos bancários e a atuação dos bancos na região. 

As entidades envolvidas deverão buscar medidas também no campo das representações diplomáticas do Brasil, quando da necessidade de resolver problemas com o BB.


Fonte: Contraf-CUT – 17/12/2010