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Encontro Nacional aprova pauta específica do Santander
28/08/2007

O Encontro Nacional dos Trabalhadores do Santander, realizado no último sábado, dia 25, em São Paulo, aprovou a pauta de reivindicações específicas, a ser encaminhada, nos próximos dias, para a direção do banco espanhol, visando a renovação e a melhoria do aditivo à convenção coletiva de trabalho.

Os funcionários do banco e diretores do SindBancários, Ademir Wiederkehr, Carmen Guedes, Vladimir Dozza (Anjinho) e Sérgio Teixeira, representaram os trabalhadores de Porto Alegre. Do Rio Grande do Sul também participaram colegas dos Sindicatos do Litoral Norte e Vale do Paranhana.

O Santander é o único banco privado que no ano passado assinou um aditivo à convenção coletiva. “Vamos procurar manter as nossas conquistas, como o intervalo de 15 minutos dentro da jornada de seis horas, a isenção de tarifas para funcionários e aposentados, e o direito a dois dias de licença por ano para a internação de filho menor, além dos termos de compromisso com a manutenção da Cabesp e do Banesprev”, destacou Ademir, que também é diretor da Afubesp e integra a Comissão de Organização dos Empregados (COE) do Santander. 

“Vamos buscar igualmente a volta de direitos, como a estabilidade pré-aposentadoria de 36 meses para os homens com 25 anos de banco e para as mulheres com 21 anos de banco, a licença remunerada opcional de um ano antes da aposentadoria (pijama) e o abono-assiduidade de cinco dias por ano”, frisou Sérgio. “Também vamos reivindicar a isonomia de direitos entre os funcionários da ativa e os afastados por motivo de doença e acidente de trabalho”, ressaltou Carmen. 

Outro objetivo será a luta por novas conquistas. “Vamos batalhar para arrancar um plano de cargos e salários que corrija as distorções existentes, o fim do assédio moral e das metas abusivas, o adiantamento para despesas de transporte e alimentação, o reajuste do quilômetro rodado, o empréstimo de férias em dez meses sem juros para todos os funcionários, e o auxílio-educação”, destacou Bino Koller, diretor do Sindicato do Litoral Norte e representante do RS na COE do Santander. 

“Vamos ainda lutar pela garantia de emprego, através da aplicação da convenção 158 da OIT, que proíbe demissões imotivadas, bem como a manutenção dos postos de trabalho em caso de fusões e aquisições”, frisou o diretor da Contraf-CUT, Paulo Stekel. 

Negociações com a Fenaban 

Na abertura do Encontro Nacional, o presidente do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Luiz Cláudio Marcolino, chamou a atenção para o engajamento nas atividades de mobilização da categoria. Ele também destacou o calendário de negociações, que prevê quatro rodadas, cada uma com blocos de reivindicações. 

“Na próxima quinta-feira, dia 30, vamos negociar as demandas das mesas temáticas de Saúde e Condições de Trabalho, Igualdade de Oportunidades, Segurança Bancária e Assédio Moral, além de propostas para inclusão de novas cláusulas, como auxílio-educação, 14º salário e 13ª cesta-alimentação”, salientou. 

A rodada seguinte ocorrerá no dia 5 de setembro acerca da remuneração total do bancário, o que envolve índice de reajuste, PLR maior, elevação do piso, plano de cargos e salários, anuênio de 2%, auxílio-creche, vale-refeição, cesta-alimentação, etc. As demais rodadas acontecerão nos dias 13 e 20 de setembro. 

“Tenho certeza de que faremos uma boa campanha salarial, buscando ampliar as nossas conquistas”, projetou o ex-presidente da Afubesp e deputado estadual Cido Sério (PT). 

Planos de Saúde 

Uma das mesas do Encontro Nacional discutiu a situação da assistência à saúde dos funcionários. “Hoje existem três planos no banco: Cabesp, Saúde Bradesco e Unimed”, explicou o diretor financeiro eleito da Cabesp, Vagner Castro. “Nós devemos caminhar na direção de unificar os planos de saúde sob o gerenciamento da Cabesp”, defendeu. 

Vagner propôs a participação na gestão, controle da rede credenciada, melhores condições de custeio e extensão para os aposentados. “Também precisamos debater a questão do superávit de R$ 400 milhões da Cabesp”, acrescentou. 

“Queremos iniciar um movimento para pôr fim à co-participação, implantada há dez anos, quando a situação financeira era difícil. Hoje, com esse superávit, é possível melhorar a assistência e acabar com a co-participação de 25% nas consultas e exames”, apontou o novo presidente da Afubesp, Paulo Salvador. 

O diretor administrativo eleito da Cabesp, Vagner Cabanal, reforçou “a necessidade de ampliar a cobertura dos planos e oferecer a inclusão dos pais de todos os funcionários”. No Rio Grande do Sul, a Cabesp possui um convênio de reciprocidade com a Cabergs, garantindo o acesso a toda a rede que atende os funcionários do Banrisul. 

Fundos de pensão 

Outra mesa de debates enfocou os fundos de pensão Banesprev e Samprev. “Cerca de 10 mil dos 23 mil trabalhadores do Santander não têm plano de previdência complementar”, denunciou o diretor administrativo eleito do Banesprev, Camilo Fernandes. 

“No Samprev, que hoje está aberto aos funcionários do ex-Meridional, não tem contribuição da patrocinadora nem transparência”, criticou. “O conselho fiscal tem três integrantes, sendo que alguém é convidado pelo banco, quando deveria ser eleito para ter autonomia de atuação”, defendeu Camilo. 
O diretor financeiro eleito do Banesprev, Valter de Oliveira, criticou a falta de estímulo do Santander para os atuais planos abertos do Samprev e do Banesprev. “O banco só tem interesse em vender os seus planos de previdência para ter maior lucro”, observou. “Apesar das turbulências nas bolsas de valores, o Banesprev obteve uma rentabilidade de 10,2% no período de janeiro e julho”, comemorou Valter. 

Os funcionários do Santander e os que foram admitidos pelo Banespa após a privatização podem aderir ao plano IV do Banesprev, que também não tem contribuição da patrocinadora. 

Os representantes eleitos do Banesprev distribuíram um documento aos participantes do Encontro Nacional. Eles apontaram os cinco pontos apresentados pelo comitê gestor do plano V, que foi criado para os aposentados pré-75 do Banespa: respeito aos direitos adquiridos, assistência à saúde (Cabesp), reajuste dos benefícios iguais aos demais planos (variação do INPC ou índice da categoria, o que for maior), aporte integral de recursos e eleição direta do comitê gestor. 

Assédio moral e violência organizacional 

O Encontro Nacional ainda teve uma mesa sobre assédio moral e violência organizacional, com a participação da psicóloga Lis Andréa Soboll, doutora em Medicina Preventiva (USP), mestre em Administração e professora da UFPR. Ela apresentou os resultados de sua pesquisa acadêmica, que não foi encomendada pelo movimento sindical nem pelos bancos, sobre a saúde no ambiente de trabalho. 

A psicóloga ficou impressionada com a violência no trabalho. “As metas abusivas aumentam o ritmo de trabalho. São feitas em cima de resultados. O que importa é somente a venda. O esforço e o trabalho não são valorizados”, criticou. “E somos avaliados pelo erro”. 

Lis Andréa enfatizou que os gerentes reproduzem a violência instituída pela organização empresarial. Ela alertou que “o assédio moral é só a ponta do iceberg”. 

Segundo a psicóloga, a violência no trabalho tem ainda “o objetivo de neutralizar e forçar a auto-exclusão do trabalhador”. Para ela, “o assédio é uma violência psicológica extrema, composta de muitos atos agressivos menores”. 

Ela destacou que assédio moral ou violência institucional podem ocorrer em casos de gestão por estresse (melhorar o desempenho, a eficiência e a rapidez no trabalho), gestão por injúria (incompetência e despreparo) e gestão por medo (uso de ameaças). 

*Fonte: SindBancários