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No STF, trabalhadores cobram nova postura de juízes contra interdito proibitório
12/11/2009

Por volta das 13h desta quarta-feira, dia 11, após o encerramento do ato público diante do Congresso Nacional, cerca de 6 mil cutistas seguiram para a Praça dos Três Poderes, onde encerraram a 6ª Marcha da Classe Trabalhadora com protesto diante da sede do Supremo Tribunal Federal (STF). Os trabalhadores cobravam uma mudança de postura dos juízes frente ao uso indevido do interdito proibitório para suprimir o direito de greve.

O interdito é um instrumento da Justiça Cível que, apesar de tratar de direito de propriedade, tem sido aplicado pela Justiça, a pedido dos empresários, para impedir mobilizações e greves. "O que vem acontecendo na verdade é uma criminalização dos movimentos sociais e o movimento sindical não está fora do alvo. Mostramos nossa força ao STF e cobramos uma nova postura dos juízes frente à questão", afirma o diretor da Contraf-CUT, Miguel Pereira.

Um fato irônico marcou a manifestação. Impedidos por grades de se aproximar do prédio do STF com o caminhão de som, os trabalhadores recorreram ao megafone para protestar. 

"O interdito trata exatamente disso: de um instrumento jurídico que quer manter à distância os trabalhadores que se manifestam nos seus locais de trabalho. Essa atitude do STF, de colocar grades para manter longe os manifestantes da 6ª Marcha, diz muito da postura da Justiça no Brasil", destaca a secretária-geral do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Juvandia Moreira, que também participou da 6ª Marcha.

O presidente da CUT, Artur Henrique, mandou um recado para o presidente do Supremo, o ministro Gilmar Mendes. "As coisas têm de ser resolvidas pela correlação de forças entre patrões e empregados, sem a interferência da Justiça."

O STF também foi alvo de protesto em função das decisões que tem tomado, a partir de ações diretas de inconstitucionalidade, para derrubar avanços conquistados legitimamente pela mobilização e capacidade de negociação dos movimentos sociais. 

Houve espaço também para apoiar a libertação do militante de esquerda italiano Cesare Battisti, para quem integrantes do STF defendem a extradição para seu país de origem.


Fonte: Contraf-CUT, com CUT e Seeb-SP – 11/11/2009