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O sorriso na cara do tigre
16/06/2009

Em artigo recente, o documentarista cinematográfico australiano, John Pilger, comenta o discurso proferido por Barack Obama na capital do Egito, Cairo, e critica a política de seu governo para o Oriente Médio.  Pilger inicia seu artigo assim:

 

'Às 7h30 da manhã de 3 de Junho um bebê de sete meses morreu na unidade de cuidados intensivos do Hospital Europeu de Gaza, na Faixa de Gaza. O seu nome era Zein Ad-Din Mohammed Zu'rob e sofria de uma infecção nos pulmões que era tratável.

 

'Recusado equipamento básico, os médicos em Gaza nada puderam fazer. Durante semanas os pais da criança solicitaram uma autorização dos israelenses que lhes permitisse levá-la a um hospital em Jerusalém, onde teria sido salva. Como muitas pessoas desesperadamente doentes que requerem estas permissões, disseram aos pais que eles nunca as haviam requerido. Mesmo que eles tivessem chegado Passagem de Erez com um documento israelense nas mãos, as probabilidades são de que teriam sido mandados voltar por recusaram exigências de oficiais para espiarem ou colaborarem de alguma forma.'

 

'"Será um exagero irresponsável", perguntou Richard Falk, o relator especial das Nações Unidas para direitos humanos nos territórios palestinos ocupados e professor emérito de direito internacional na Universidade de Princeton, que é judeu, "associar o tratamento de palestinos com o criminalizado registo nazi de atrocidade colectiva? Eu penso que não".'

 

Criticando o discurso que Barack Obama proferiu no Egito e a política de seu governo para o Oriente Médio, John Pilger afirma:

 

'Obama disse que o "ciclo de suspeição e discórdia deve acabar". Todo ano, durante mais de uma geração, a ONU apelou a Israel para finalizar a sua ocupação ilegal e violenta da Palestina pós-1967 e votou pelo "direito do povo palestino à auto-determinação". Todo ano, aqueles que votam contra estas resoluções têm sido os governos de Israel e dos Estados Unidos e uma ou duas dependências da América no Pacífico; no ano passado o Zimbabwe de Robert Mugabe juntou-se-lhes.'

 

'Este é o verdadeiro "ciclo" no Médio Oriente, o qual raramente é relatado como a rejeição implacável da regra da lei por parte de Israel e dos Estados Unidos: uma lei em cujo nome a ira de Washington foi descarregada sobre Saddam Hussein quando ele invadiu o Kuwait, uma lei que, se apoiada e honrada, traria paz e segurança tanto à Palestina como a Israel.'

 

'Mas Obama falou no Cairo como se a sua e as anteriores administrações da Casa Branca fossem neutras, quase corretores divinos da paz, ao invés de apoiantes dos opressores e abastecedores do invasor (juntamente com a Grã-Bretanha). Esta ilógica orwelliana é o padrão do que os jornalistas ocidentais chamam de "conflito Israel-Palestina", o qual quase nunca é relatado nos termos da lei, do certo e do errado, da justiça e da injustiça — Darfur, sim, Zimbabwe, sim, mas nunca a Palestina. O fantasma de Orwell movimentou-se outra vez quando Obama denunciou "extremistas violentos no Afeganistão e agora no Paquistão, os quais estão determinados a matar tantos americanos quanto puderem". A invasão da América e a carnificina nestes países ficou sem ser mencionada. Ela, também, é divina.'

Para ler a íntegra do artigo de John Pilger acesse www.resistir.info/pilger/pilger_11jun09.html

Secretaria de Imprensa e Divulgação