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Acionistas minoritários do Santander rejeitam balanço e extinção do Real
04/05/2009

Os acionistas minoritários Associação dos Funcionários do Grupo Santander Banespa, Banesprev e Cabesp (Afubesp), representada pelo presidente Paulo Roberto Salvador, e Ademir José Wiederkehr, secretário de imprensa da Contraf-CUT votaram contra o balanço do exercício de 2008 e a extinção do Banco Real, durante assembléias de acionistas do Santander ocorridas nesta sexta-feira, dia 30, no auditório do Casa 1, em São Paulo. Eles questionaram os números do banco e a forma de incorporação do Real e apresentaram votos por escrito, registrados em ata (clique aqui para acessar). Todos os itens foram aprovados pelo Santander, que detém 97% das ações do banco no Brasil.


Santander não explica ágio


Na assembléia geral ordinária, às 13h, os dois minoritários reclamaram da ausência dos editais de convocação no site do banco e da falta de transparência do balanço. Eles pediram esclarecimentos sobre o surpreendente ágio de R$ 26,3 bilhões da compra do Real e do ABN Amro Brasil Dois Participações. Houve uma amortização de R$ 571 milhões, reduzindo o lucro líquido do banco.


Esse ágio poderá ser abatido em até dez anos, o que significa uma média anual de R$ 2,6 bilhões. "Quem perde com o impacto do ágio são os bancários, pois diminui a PLR, enquanto os acionistas não tiveram prejuízos em seus dividendos e os executivos ganharam bônus milionários", ressaltou Paulo Salvador.


O contador do Santander limitou-se a responder que o ágio era oriundo da compra do Real e da ABB Dois

Par. Nada mais informou, frustrando os minoritários.


R$ 223 milhões para 26 diretores executivos


Os minoritários também questionaram o montante global anual da remuneração dos administradores de até R$ 223,8 milhões. Após o pedido de informações, o Santander respondeu que esse valor se destina ao pagamento dos atuais 26 diretores executivos do banco.

 

"Diante da crise financeira mundial, o mundo inteiro discute hoje a redução dos ganhos dos executivos, mas o Santander continua destinando milhões para um punhado de diretores, enquanto os 52 mil trabalhadores, principais responsáveis pelo lucro do banco, receberam somente a regra básica da PLR e possuem os menores salários do sistema financeiro", contestou Ademir.


Extinção do Real


Já na assembléia geral extraordinária, às 15h, os minoritários votaram novamente contra a forma proposta de incorporação do Real pelo Santander, com a extinção do Real. A Afubesp e Ademir apresentaram voto por escrito e cobraram a falta de garantias de manutenção dos empregos e direitos dos trabalhadores e aposentados do banco.


"Apesar de todo processo de negociação com as entidades sindicais para construir alternativas às demissões, que durou mais de sete meses, o Grupo Santander extinguiu mais de 3.300 postos em 12 meses, encerrados em março de 2009. De acordo com o balanço no primeiro trimestre de 2008, o banco que empregava 55.395 bancários, terminou o primeiro trimestre deste ano com 52.088 trabalhadores. Só nos primeiros três meses de 2009, foram fechados cerca de mil postos de trabalho", denuncia o documento.


"Diante da presente incorporação do Banco Real pelo Banco Santander, com a conseqüente extinção do Banco Real, tornam-se necessárias e urgentes a negociação de garantias de empregos e direitos para os trabalhadores e as trabalhadoras do banco, bem como para os aposentados e pensionistas do banco, como fator de responsabilidade social e compromisso com o Brasil e os brasileiros", conclui o voto contrário.


O Santander não deu explicações e limitou-se a aprovar os pontos de pauta com a extinção do Real. O único esclarecimento foi que a nova denominação social, já homologada pelo Banco Central, é Banco Santander (Brasil) S.A., com os parêntesis. Em relação à continuidade da marca do Real, nada foi informado.


Fonte: Contraf-CUT - 30/04/2009