Webmail

Sindicatos preparam ofensiva para aproveitar crescimento da economia
09/07/2007

Diante do crescimento econômico, as categorias com data-base no segundo semestre se preparam para cobrar a sua parte nos ganhos obtidos pelas empresas com a recuperação da economia. É neste semestre que se concentram as campanhas salariais de mais de 15 milhões de trabalhadores das categorias mais organizadas do País, como metalúrgicos, bancários, eletricitários, químicos e petroleiros. Para os sindicalistas, a expansão da economia, num cenário de inflação baixa, juros em queda e crescimento do emprego, abre espaço para aumentos reais de salários, maior participação nos lucros das empresas e cláusulas sociais. Eles têm pressa em iniciar as negociações e advertem que a greve voltou a ser um instrumento de pressão, num momento em que as indústrias já firmam contratos para o Natal, especialmente com fornecedores no exterior. Na semana passada, representantes dos 250 mil metalúrgicos da Central Única dos Trabalhadores (CUT) do Estado de São Paulo entregaram aos patrões as reivindicações da categoria, cujas datas-base estão divididas entre agosto (máquinas e eletrônicos), setembro (montadoras, autopeças e fundição) e novembro (lâmpadas, estamparias, entre outras). Segundo o presidente da Federação dos Sindicatos Metalúrgicos da CUT/SP, Valmir Marques, a campanha tem como eixos principais o aumento real dos salários, a redução da jornada de trabalho para 40 horas semanais, sem redução dos salários, e a unificação dos pisos e das datas-base de todos os grupos para setembro. Essa última reivindicação prepara terreno para a abertura de negociações visando à implantação de um contrato coletivo nacional, que englobaria os cerca de um milhão de metalúrgicos da central em todo o País. Entre os benefícios desse contrato, está o piso de salário nacional. Hoje, os salários são desproporcionais nas diferentes regiões do País, já que as negociações são regionais. O sindicalista explica que o índice de aumento real nos salários ainda não foi definido, mas será fixado de acordo com os desempenhos de cada segmento metalúrgico. Ele cita que os recordes de produção e de vendas da indústria automobilística e o crescimento da indústria em geral, estimado em mais de 4% para este ano, são alguns indicadores que influenciarão positivamente as negociações. 'Sem luta não há conquista, e não descartamos a realização de greves e paralisações em todos os setores para fazer valer o nosso direito', diz Marques. *O Estado de São Paulo