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Bancários protestam contra demissões em negociação com Santander-Real
28/01/2009

A Contraf/CUT retomou nesta quinta-feira 22 de janeiro as negociações com o Grupo Santander Brasil. Os bancários, representados pelas Comissões de Organização dos Empregados (COE) dos bancos Santander e Real, iniciaram a reunião protestando contra as cerca de 400 demissões feitas pelo banco na semana passada, principalmente em São Paulo.

 

Os representantes dos trabalhadores entregaram um documento endereçado ao presidente do Grupo Santander Brasil, Fábio Barbosa, em que as entidades sindicais "repudiam a postura do banco que atropelou e desrespeitou o processo de negociação em andamento, que tem por objetivo, justamente, proteger os empregos após a fusão" (veja abaixo).

 

Os negociadores do banco reconheceram que as demissões "não têm nada a ver com a crise", mas trata-se de "ajustes em áreas redundantes". "Esse tipo de demissão é exatamente o que o processo de negociação está buscando evitar. Este fato é um desrespeito com a representação dos trabalhadores", afirma Paulo Stekel, diretor da Contraf/CUT e funcionário do Santander. Os negociadores do banco negaram uma nova onda de demissões e afirmaram que poderão analisar casos pontuais de demitidas que sejam encaminhados pelos sindicatos.

 

Além das demissões, outros temas foram retomados durante a negociação. Alguns avanços foram conquistados, como a unificação da data de pagamento dos dois bancos no dia 20 de cada mês. Mas a resposta para a maioria das reivindicações dos trabalhadores ficou para a próxima reunião, agendada para o dia 29 de janeiro, em São Paulo. Veja abaixo os principais pontos:

 

Licença remunerada pré-aposentadoria

 

O banco apresentou algumas premissas para a criação da licença remunerada pré-aposentadoria (conhecida como "pijama"), reivindicação dos trabalhadores para aumentar o número de vagas e evitar demissões. Poderiam se inscrever no programa apenas funcionários com pelo menos 20 anos de serviços em empresas do grupo e que tenham apenas mais 24 meses de trabalho antes de se aposentarem. A licença seria de 12 meses antes da aposentadoria e a adesão ao programa seria voluntária. Os trabalhadores reivindicaram a redução do tempo de serviço necessário para inscrição no programa para 10 anos. A proposta voltará a ser debatida na próxima reunião.

 

Incentivo à aposentadoria

 

Os negociadores do banco trouxeram resposta à reivindicação dos trabalhadores de um plano de incentivo à aposentadoria para os bancários que já reúnem condições de se aposentar ou estão aposentados pelo INSS e continuam trabalhando. O banco informou que irá avaliar a concessão de vale-alimentação ou a extensão do plano de saúde, que muitos funcionários não levam para a aposentadoria. O banco detalhará a proposta na reunião do dia 29.

 

Cipeiros

 

A representação dos bancários reiterou a reivindicação de manutenção da estabilidade no emprego dos cipeiros pelo período que falta para completar um ano de mandato e mais um ano após, nos casos de fechamento de unidades e transferências por interesse do banco. O banco dará resposta na reunião do dia 29.

 

Aditivo

 

O banco concordou em prorrogar o aditivo do Santander até o dia 31 de janeiro. A finalização dos aditivos dos dois bancos depende das negociações que estão ocorrendo para a definição de mecanismos de proteção ao emprego. O assunto deverá ser concluído na próxima reunião.

 

Auxílio-educação

 

Os dirigentes sindicais reivindicaram a abertura de inscrições para o auxílio-educação, uma vez que as universidades já estão realizando as matrículas. O banco aceitou a reivindicação e iniciará nos próximos dias as inscrições para o programa de bolsa de estudo, que cobre 50% da mensalidade, até o teto de R$ 330.

 

Programa Venha Trabalhar na Rede

 

A representação dos trabalhadores reafirmou a reivindicação de concessão de auxílio-deslocamento em caso de transferência para preenchimento de vagas em outros municípios e estados. A questão também será respondida pelo banco na próxima reunião.

 

Data de pagamento

 

Um avanço conquistado foi a unificação da data de folha de pagamento no dia 20 de cada mês, reivindicada pelo movimento sindical. O banco concordou e os funcionários do Real também passarão a receber o crédito de seus salários no dia 20, já a partir de fevereiro.

 

PLR

Os trabalhadores reivindicaram o pagamento da segunda parcela da PLR no dia 20 de fevereiro. O banco respondeu que o balanço será divulgado no dia 6 de fevereiro e ficou de estudar a data de pagamento indicada.

 

Veja a íntegra da carta entregue a Fábio Barbosa em repúdio às demissões:

Ao
Grupo Santander Brasil

Presidência
Att. do Sr. Fábio Barbosa

São Paulo – SP



Senhor Presidente:



Considerando as demissões ocorridas na última semana, especialmente nos centros administrativos do Santander e do Real, os representantes das entidades sindicais repudiam a postura do banco que atropelou e desrespeitou o processo de negociação em andamento, que tem por objetivo, justamente, proteger os empregos após a fusão.

 

Essa medida causou indignação em todas as unidades dos dois bancos e contraria frontalmente o pronunciamento feito pelo presidente mundial do Santander, Emilio Botín, durante visita ao Brasil em outubro do ano passado. Na oportunidade, ele afirmou que a fusão com o Real seria um processo de expansão e que funcionários e clientes não seriam prejudicados. Mas não é isso que está sendo praticado pelo banco.

 

As dispensas também se opõem às intenções manifestadas por Botín ao presidente Lula, na última segunda-feira, dia 19 de janeiro, quando anunciou investimentos de R$ 2,558 bilhões no país e a abertura de mais 400 novas agências até 2010. Se o banco projeta crescimento, por que mandar embora trabalhadores experientes que podem ser realocados?

 

Essas demissões se chocam com o esforço que vem sendo feito pela sociedade brasileira, no sentido de evitar que a crise financeira mundial afete os empregos, a economia e o crescimento do país.

 

Por isso, os trabalhadores do Santander e Real exigem o fim das demissões, o respeito ao processo negocial e às entidades sindicais e representativas, e a construção permanente de alternativas para a abertura de vagas e a geração de empregos, como contrapartida social diante dos ganhos de sinergia calculados em R$ 2,7 bilhões com a fusão e a perspectiva de lucros de 8,5 bilhões de dólares nos próximos três anos.

 

Atenciosamente

COMISSÃO DE ORGANIZAÇÃO DOS EMPREGOS (COE) DOS BANCOS SANTANDER E REAL


Fonte: Contraf/CUT - 22/01/09