Webmail

Banco do Brasil completa 200 anos, mas trabalhadores não têm o que festejar
13/10/2008

Maior banco público do país se afasta cada vez mais de suas funções sociais, assumindo de maneira efetiva uma postura de mercado

Neste domingo, 12, o Banco do Brasil completou 200 anos. Em plena campanha salarial, os funcionários do banco não têm o que comemorar. Além de manter a mesma política agressiva no ponto de vista de mercado, quanto à gestão de seus recursos humanos o BB também não se diferencia das instituições privadas. As metas abusivas e o assédio moral estão inseridos na rotina dos trabalhadores do banco. Por outro lado, o banco mantém a intransigência nas negociações específicas, sem dar espaço para as reivindicações defendidas pela Comissão de Empresa dos Funcionários do BB.

Embora bancários de quase todos os bancos, incluindo os trabalhadores da Caixa e do Banrisul tenham aderido à greve nacional da categoria, a inserção de funcionários do BB, que em outras campanhas salariais foi vital para garantir conquistas à categoria, ainda é pequena. Nesta segunda-feira os sindicatos de Porto Alegre e Caxias do Sul realizam novas assembléias específicas do BB em suas bases, para incentivar a adesão dos funcionários à greve. Há expectativa de que os trabalhadores do banco se conscientizem de que sua participação no movimento tem um grande peso tanto para avançar nas negociações específicas quanto para garantir uma nova proposta econômica da Fenaban.

Sobre a história do BB

Nesses dois séculos, a instituição passou por crises, fechou, foi reaberto, mudou de atribuições e, finalmente, se consolidou como um símbolo do país. A instituição é mais um legado deixado pela família real portuguesa, cuja mudança para o Brasil também completa 200 anos.

Foi por iniciativa do príncipe regente dom João que o Banco do Brasil foi fundado no dia 12 de outubro de 1808. A intenção era financiar a indústria, até então proibida de atuar no país.

O capital do banco —iniciado com 1.200 ações de um conto de réis cada uma— se consolidou. É que um alvará de 1812 incluiu a Real Fazenda como acionista, que decidiu abrir mão dos lucros de suas ações por cinco anos. A saúde financeira do BB durou pouco. Em 1821, dom João 6º retornou para Portugal levando com ele todo o dinheiro da instituição estatal. A partir de então, a má administração e os abusos do governo culminou no fechamento do banco em 1829.

Na década seguinte, o governo tentou reabrir o BB, mas o que vingou foi o Banco Comercial do Rio de Janeiro, fundado em dezembro de 1838. Somente em 1851 o Conde de Mauá abre um banco particular e o batiza de Banco do Brasil. Dois anos depois, a instituição do conde se funde ao Banco Comercial do Rio de Janeiro dando origem ao novo Banco do Brasil, novamente estatal.

2008

O Banco do Brasil comemora seu bicentenário como a maior instituição financeira do país. Os ativos da instituição são de R$ 342,4 bilhões, bem acima dos cerca de R$ 270 bilhões do Bradesco, o segundo maior banco nacional. Muito disso se deve a sua base de clientes, que gira em torno de 26 milhões de pessoas —10 milhões a mais que seu principal concorrente—, os responsáveis pelos depósitos de R$ 172,2 bilhões até setembro do ano passado.

*Feeb/RS com informações da Folha Online