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Seminário Nacional reforçou a luta pelos empregos e direitos no Santander e Real
09/09/2008

A luta para conquistar garantia de emprego por três anos foi reforçada pelo Seminário Nacional dos Dirigentes Sindicais do Santander e Real, promovido pela Contraf-CUT e encerrado nesta sexta-feira, dia 5, em Atibaia, interior de São Paulo. Os 95 participantes de todo o País definiram um conjunto de propostas para organizar os funcionários dos dois bancos e dialogar com a sociedade. Somente com mobilização será possível barrar o processo de demissões e preservar os direitos dos trabalhadores.

A defesa do emprego é prioridade. Somente em São Paulo mais de mil funcionários dos dois bancos foram dispensados sem justa causa em 2008. Além disso, quase o mesmo número de trabalhadores pediu desligamento, muitos por não agüentarem a pressão pelo atingimento das metas abusivas do banco. “Desde 2000, quando o Santander adquiriu o Banespa, mais de 22 mil empregados já foram demitidos. É como se um banco inteiro tivesse sido fechado e os bancários mandados embora”, comparou a diretora do Sindicato dos Bancários de Sã Paulo, Rita Berlofa.

Na defesa da garantia de emprego e da manutenção dos direitos dos funcionários da ativa e aposentados, os dirigentes sindicais planejaram diversas ações integradas, com reuniões nos locais de trabalho, plenárias estaduais, campanhas de mídia, jornal unificado e um novo encontro nacional em outubro, visando intensificar a mobilização e forçar negociações para obter conquistas. Também serão retomados os contatos com o governo Lula e o Congresso Nacional, a exemplo da jornada nacional de luta em 2007, para que também pressionem o banco espanhol.

“Vamos dialogar com os bancários, os clientes e a sociedade, mostrando a verdadeira cara do Santander e buscando apoio para manter empregos e direitos. Se o banco espanhol quiser mesmo crescer no Brasil, o caminho é preservar os postos de trabalho, abrir novas agências e ampliar o número de empregados nas unidades para melhorar o atendimento aos clientes”, salienta o funcionário do Santander e diretor do SindBancários e da Afubesp, Ademir Wiederkehr.

Aditivo prorrogado

Santander prorrogou a validade do aditivo à convenção coletiva até o dia 30 de setembro. O acordo havia vencido no dia 31 de agosto. Agora, as entidades sindicais iniciar as negociações da pauta específica de reivindicações, visando a renovação do aditivo e a sua extensão aos empregados do Real. A minuta foi entregue no último dia 14 de agosto para o banco.

“Queremos negociações específicas de forma simultânea às discussões da minuta da categoria com a Fenaban, mas até agora o banco não se manifestou”, afirma a funcionária do Real e diretora do SindBancários, Natalina Gue. “É preciso assegurar garantia de emprego e estender direitos para todos os empregados dos dois bancos, como a não-compensação da renda variável na PLR e o Programa de Participação nos Resultados (PPR)”, destaca a dirigente sindical.

Negociação quinta

Na próxima quinta-feira, dia 11, ocorre a primeira negociação sobre o processo de fusão, entre as entidades sindicais e as Comissões de Organização dos Empregados (COEs) do Santander e Real com os negociadores dos dois bancos designados pelo presidente do Grupo Santander Brasil, Fábio Barbosa, durante reunião ocorrida no dia 25 de agosto.

Ficou definido que serão pontuados os problemas decorrentes da fusão e apresentadas propostas de soluções. Participarão, além dos representantes dos trabalhadores, Gilberto Trazzi Canteras e Jerônimo Tadeu dos Anjos, responsáveis pelos departamentos de recursos humanos do Santander e Real, respectivamente. Barbosa comprometeu-se em manter negociações permanentes com os trabalhadores, durante todo o processo de fusão.

“Os bancários dos dois bancos querem ter voz e vez e mostrar que os seus empregos e direitos têm que ser respeitados”, afirma a funcionário do Santander e diretor do SindBancários e Contraf-CUT, Paulo Stekel. “Queremos acompanhar cada etapa da fusão e evitar que haja qualquer prejuízo para os trabalhadores”, defende.

Avaliação

“O seminário reforçou a construção do processo de integração dos dirigentes sindicais e da unidade dos trabalhadores dos dois bancos na defesa dos empregos e direitos”, avalia o funcionário do Real e diretor do Sindicato dos Bancários de Pelotas, Luis Diogo.

“Foi mais passo na luta pela manutenção dos postos de trabalho no processo de fusão, bem como reforçou a luta contra a pressão das metas abusivas e pela melhoria das condições de trabalho”, observa o diretor do Sindicato dos Bancários do Vale do Paranhana, Francisco Dutzig.

“A integração dos funcionários reforça a luta pela manutenção dos empregos diante do processo de fusão que está em andamento. A unidade na defesa dos interesses dos empregados é uma luta constante frente às dificuldades que vêm sendo enfrentadas”, destaca o diretor do Sindicato dos Bancários do Litoral Norte, Bino Kohler.

Os gaúchos participaram ativamente do seminário. Além dos três diretores do SindBancários, estiveram presentes nove dirigentes de sindicatos do interior do Estado: Santa Maria, Litoral Norte, Vale do Paranhana, Rio Grande, Novo Hamburgo e Pelotas.

A seguir, as propostas de luta e para mobilização dos funcionários definida pelo Seminário:

 

- Visita ao Sr Bottin, com entrega de carta/documento em outubro;

- Paridade de negociação;

- Articulação e envolvimento do governo Lula e parlamentares;

- Quadro específico sobre direitos e informações do Santander;

- Agilidade na comunicação com os funcionários;

- COE com a  mesma alçada de negociação que o Comando Nacional dos Bancários;

- Bandeira principal – emprego;

- Publicação de jornal unificado;

- Internet – informação – reuniões nas agências;

- Reunião com base para coletar/repassar informações;

- Marca unificada no Santander/Real (camiseta, jornal, informativos);

- Mapeamento de demissões e agências fechadas;

- Campanha mídia;

- Realizar encontro regionais par mobilização;

- Trabalhar/disputar com a idéia e imagem criada sobre Fábio Barbosa (maravilhosa);

- Terceirização – ações jurídicas;

- Estabelecer parcerias políticas;

- Melhor tratamento aos bancários adoecidos.

Fonte: Seeb Porto Alegre com Secretaria de Imprensa e Divulgação do Seeb-Passo Fundo - 08/09/2008