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Santander foge do debate sobre terceirização em mediação na SRTE
12/08/2008

Além de fugir do debate, o banco espanhol sequer enviou uma carta com justificativas para a ausência. O tema da reunião foi a terceirização de serviços tipicamente bancários, o que vem sendo praticado pelo banco, em flagrante descumprimento da legislação trabalhista, o que tem ceifado milhares de postos de trabalho da categoria.

“Lamentamos a recusa do Santander em discutir essa dura realidade para os trabalhadores, o que tem significado corte de empregos, redução de salários, precarização das condições de saúde e trabalho e perda da qualidade de atendimento aos clientes”, afirma o funcionário do Santander e diretor do SindBancários, Ademir Wiederkehr.

“Sem diálogo, pedimos a fiscalização do Ministério do Trabalho e Emprego, como forma de combater essa praga do mundo de trabalho que o Santander vem utilizando para reduzir despesas de pessoal e aumentar os seus lucros”, destaca a funcionária do Real e diretora do SindBancários, Natalina Gue.

A reunião foi mediada pelo auditor fiscal Fernando Rigol. Também participou o assessor jurídico do Sindicato, João Miguel Catita. Terceirizações ilegais Diante da ausência do Santander, os bancários ficaram sem respostas para as terceirizações ilegais apontadas pelo Sindicato:

Santander Cultural

No prédio do Santander Cultural, estabelecido na Rua Siqueira Campos, 1125, no centro da capital, várias atividades bancárias são executadas no 1º e 2º andar por terceirizados, lado a lado com empregados do banco. Diversos contratados eram funcionários do próprio banco.

Agências

Diversas agências, como as unidades na Rua Sete de Setembro, 1080, 1136 e 1177, também na área central da cidade, possuem terceirizados que oferecem e vendem produtos aos clientes, trabalhando como se fossem empregados da instituição.

Núcleo

O Santander montou um Núcleo de Pastas e Serviços, no prédio da ServiceBank, uma empresa que processa serviços para vários bancos, localizada na Avenida Polônia, 344, no bairro Navegantes, na capital, onde são executadas atividades de retaguarda das agências. Ali trabalham, lado a lado, empregados do banco e terceirizados, fazendo serviços de natureza bancária, num espaço pequeno e inadequado, sem ar condicionado.

Demitidos da Transpev

Antes da ServiceBank, o Santander tinha um contrato de responsabilidade solidária com a Transpev, que fazia os mesmos serviços de retaguarda. Em abril, a empresa fechou e dispensou os seus trabalhadores, porém até hoje ainda não pagou as verbas rescisórias. O assunto foi discutido no Comitê de Relações Trabalhistas do Santander, onde os representantes do banco informaram que efetuaram os pagamentos devidos diretamente à Transpev e se negaram a pagar as indenizações pendentes.

Nossas reivindicações

Para o SindBancários, a solução é o fim dessa terceirização ilegal de serviços, que é nociva para os trabalhadores e desqualifica o atendimento aos clientes. Para resolver a questão, a entidade propõe: a) retomada imediata pelo banco dos serviços bancários hoje terceirizados; b) contratação pelo banco de todos os terceirizados que executam serviços bancários; c) pagamento imediato das verbas rescisórias aos demitidos da Transpev; d) melhoria das condições de trabalho aos empregados no Núcleo da Avenida Polônia.

Veja a íntegra da ata da mediação:

Aos seis dias do mês de agosto de dois mil e oito às 14h, na sala 716, 7º andar da Superintendência Regional do Trabalho e Emprego no RS, Seção de Relações do Trabalho, Setor de Mediação, processos nº 46218.010015/2008-05, foi iniciada a reunião de mediação entre o SINDICATO DOS BANCÁRIOS DE PORTO ALEGRE, requerente deste procedimento, neste ato representado pelo Sr. Ademir José Wiederkehr, Diretor, Sra. Natalina Rosane Gué, Diretora e pelo Dr. João Miguel Palma Antunes Catita, Assessor Jurídico e, de outro lado, como requerido o BANCO SANTANDER, que não compareceu e nem justificou a sua ausência. Iniciada a reunião, e depois de registradas as presenças, se manifestaram os representantes do sindicato profissional no sentido de que a fiscalização do trabalho desta SRTE/RS fiscalize o referido banco, nos endereços que constam deste procedimento, com a finalidade de coibir a terceirização irregular que ocorre nesse empregador. Solicita-se, então, que cópia desta ata seja encaminhada à Seção de Fiscalização do Trabalho desta SRTE/RS. E nada mais, havendo a tratar a presente ata é encerrada que após lida e achada conforme, foi assinada pelos presentes.

FERNANDO APPRATTO RIGOL Auditor Fiscal do Trabalho.

Fonte: SindBancários - 08/08/2008