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Banrisul não é auditado pela Cage desde 1997
26/06/2008

O Jornal do Comércio, edição desta quarta-feira, dia 25, traz reportagem sobre a Controladoria e Auditoria Geral do Estado (Cage) revelando que, por falta de pessoal, há mais de 10 anos deixou de fazer auditorias em estatais como o Banrisul, a Corsan e a CEEE.

Na mesma matéria, há a manifestação do SindBancários sobre a situação. O secretário-geral Fabio Soares Alves, o Fabinho, funcionário do Banrisul, argumenta que os serviços de auditorias encarregadas têm competência para realizar o controle dos atos de gestão. “Se a Cage tivesse condições de auditar o banco, seria mais uma importante instituição a acompanhar o processo”, avalia.

Confira a reportagem:

“CONTROLE PÚBLICO

Banrisul não é auditado pela Cage desde 1997

Falta de pessoal inviabilizou fiscalização pela Controladoria do Estado

Desde 1997, o Banrisul não é auditado pela Contadoria e Auditoria Geral do Estado (Cage). Em entrevista publicada na segunda-feira no Jornal do Comércio, o diretor do órgão de controle do Estado, Roberval da Silveira Marques, revelou que, por falta de pessoal, a Cage deixou de fazer auditorias em estatais como o Banrisul, Corsan e CEEE.  “A Contadoria, como todas as secretarias do Estado, sofre com a crise financeira.  Os quadros vêm perdendo recursos humanos ao longo de muito tempo. Isso fez com que nós abandonássemos as grandes estatais”, explica. Marques justifica que a decisão foi tomada para contemplar entidades que não possuíam nenhuma auditoria. “O Banrisul tem seis órgãos que atuam, de alguma maneira, no controle”, completa.

O banco estatal não comenta a falta de auditoria da Cage. Mas informa que a instituição financeira passa pelo controle de sete auditorias em caráter permanente. As fiscalizações são realizadas por seis órgãos externos e uma auditoria interna.

No ano passado, durante o período da oferta pública de ações, além das auditorias habituais, o Banrisul também foi auditado pela Price Waterhouse Coopers, por dois escritórios de advocacia internacionais e dois escritórios de advocacia nacionais. Estas instituições analisaram e deram pareceres em cima dos últimos quatro balanços financeiros do banco.

Além dos órgãos fiscalizadores, o Banrisul possui um sistema integrado de gestão de compras e pagamentos, o Enterprise Resource Planning (ERP), implantado em 2006. Atualmente, o novo modelo é utilizado em todas as agências e nas unidades da Direção-Geral do Banrisul. Conforme a assessoria do banco, o ERP garante a “integração das áreas envolvidas em base de dados única, gerenciamento eficiente das informações, controle completo das compras e pagamentos, alta rastreabilidade e um excelente desempenho nas atividades operacionais e estratégicas.

O secretário-geral do Sindicato dos Bancários de Porto Alegre, Fábio Soares Alves, avalia que as auditorias encarregadas do Banrisul têm competência suficiente para realizar o controle dos atos de gestão do banco público estadual. “O Banco Central e os órgãos que são os responsáveis por fiscalizar reconhecem essas auditorias. Elas têm que passar por toda uma série de requisitos. Se o próprio sistema financeiro reconhece, não somos nós que não vamos reconhecer”, afirma. Ele acrescenta que, se a Cage tivesse condições de auditar o Banrisul, seria mais uma importante instituição a acompanhar o processo. “Mais investigação é melhor do que menos investigação. E mais auditoria é melhor do que menos auditoria”, completa o dirigente sindical.

Auditorias do banco

. : Órgãos Internos 

. : Auditoria Interna

 

Órgãos Externos

. : Conselho Fiscal

. : Comitê de Auditoria

. : Auditoria Externa (Deloitte)

. : Tribunal de Contas do Estado

. : Banco Central

. : Comissão de Valores Mobiliários (CVM)

 

Números da Cage

. : Em 1992, 67 auditores da Cage atuavam na administração indireta. Atualmente, são apenas 18 auditores no trabalho de campo e outros quatro internos;

. : Último concurso público foi realizado em 2006, no governo Rigotto; .: No primeiro ano do governo Yeda, foram nomeados nove agentes fiscais;

. : Novo processo de seleção pública já foi autorizado e está em fase de elaboração;

. : A atuação da Cage envolve 133 instâncias, sendo 36 na administração direta, sete autarquias, 20 sociedades de economia mista, 50 fundos e 20 fundações;

. : Por ano, são analisadas mais de 1 milhão de autorizações para despesa e pelo menos 10 mil convênios são contemplados.”

Fonte: Feeb-RS  - 26/06/08