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Abastecimento dos caixas eletrônicos: bancos não foram ao debate
06/06/2008

Os bancos, as empresas de transporte de valores e a Polícia Federal não compareceram na segunda rodada de mediação ocorrida na tarde desta terça-feira, 3 de junho, na Superintendência Regional de Trabalho e Emprego (SRTE), em Porto Alegre.  

A negociação daria continuidade ao debate iniciado na reunião do dia 13 de maio, quando os representantes sindicais denunciaram a terceirização de serviços bancários, a fragilidade e a insegurança no abastecimento de caixas eletrônicos, o que vem colocando em risco a vida dos trabalhadores e da população.

A discussão foi proposta pelo presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Empresas de Transporte de Valores, Transporte de Documentos e Escolta Armada do Rio Grande do Sul (SindValores), Antonio Carlos Pires de Ávila.  Também participaram o diretor do Sindicato dos Bancários de Porto Alegre e Região (SindBancários) e representante da Federação dos Bancários do RS, Ademir Wiederkehr, e o assessor do Ministério do Trabalho e Emprego, Luiz Klippert.  

Antes da reunião, o advogado do Sindicato e da Associação dos Bancos no RS, Emílio Papaléo Zin, protocolou uma correspondência, justificando a ausência, sob a alegação de que “não há possibilidade das entidades representativas dos bancos intervirem nos procedimentos”.  Os dirigentes sindicais lamentaram a postura dos banqueiros.  “Mais uma vez, fugiram do debate, menosprezando os problemas de segurança que apavoram os trabalhadores e a sociedade”, protestou Ademir.

O diretor do SindBancários frisou que o abastecimento de caixas eletrônicos é uma atividade bancária, que infelizmente vários bancos terceirizaram. “A legislação trabalhista só permite a contratação de empresas para serviços de vigilância e limpeza”, lembrou Ademir. “Os bancos estão utilizando vigilantes de transporte de valores para contagem e conferência de dinheiro de caixas eletrônicos, o que é ilegal, inseguro e perigoso ”, reiterou. “Esse desvio de funções deve acabar”, apontou.

“Somos treinados para transportar valores e não para contar no chão o dinheiro dos cassetes de caixas eletrônicos, em quiosques, shoppings, lojas, supermercados e postos de gasolina”, repetiu Ávila. “Estamos arriscando a nossa vida”, ressaltou.

Diante dessa ausência, o SindValores adiantou que encaminhará uma denúncia para a SRTE, pedindo uma fiscalização. “Queremos que as empresas e os bancos sejam autuados frente à falta de segurança e ao desvio de nossas funções”, antecipou Ávila. Ele também solicitará uma audiência para o superintendente regional da Polícia Federal, Ildo Gasparetto.

“Vamos denunciar também essa situação em Brasília, durante a audiência que a Contraf-CUT terá nesta sexta-feira, dia 6, com o secretário-executivo do Ministério da Justiça”, avisou o representante dos bancários. “Precisamos atualizar a lei federal nº 7.102, de 1983, que está defasada e não previne com eficiência os atuais problemas de violência e segurança”, completou Ademir.

“Nós vamos continuar dialogando, a fim de que sejam tomadas medidas preventivas para proteger a vida dos trabalhadores e clientes dos bancos”, destacou Klippert. A auditora fiscal Graziela Hoher Pufal mediou a reunião e lavrou ata.

Fonte: SindBancários Publicado em 05/06/2008