Webmail

Artigo: O Estado paralelo do capital dentro do Estado de Direito
09/05/2017

O filósofo Jeferson Miola escreveu o interessante artigo "O Estado paralelo do capital dentro do Estado de Direito".  Nele, embalado pelas revelações do esquema de corrupção montado pela empreiteira Odebrecht, Miola discorre sobre como o Estado de Direito foi tomado pelo grande capital.  E o filósofo finaliza seu texto afirmando que "o capitalismo é incompatível coma democracia".  A seguir, transcrevemos alguns trechos do artigo:

Parcela importante do conteúdo das delações dos funcionários da Odebrecht já era de conhecimento público há muito tempo. As revelações úteis para a dinâmica do golpe, por exemplo, já eram bem conhecidas, porque estão sendo vazadas seletivamente pela força-tarefa da Lava Jato e divulgadas à exaustão há cerca de dois anos.

O fim do sigilo das delações trouxe, além de algumas poucas novidades, muitas confirmações sobre as suspeitas dos esquemas industriais de corrupção do bando golpista, dos políticos e operadores do PMDB, PP, DEM, PTB, PSB e PSDB.

Em teoria, portanto, não deveria haver motivos para o estarrecimento com a publicação da íntegra das delações. O espanto se deve, entretanto, aos vídeos estarrecedores dos depoimentos dos ex-diretores da Odebrecht.

Os vídeos valem como uma pós-graduação acerca da supremacia do capital e do mercado sobre a democracia e a República. Eles revelam de maneira escolástica, para não dizer pornográfica, a existência de um verdadeiro Estado paralelo do capital operando dentro do Estado de Direito.

A Odebrecht comprava corruptos como o "pastor” Everaldo, do PSC. Em contrapartida, definiu o discurso privatizante que ele faria na entrevista do Jornal Nacional e a postura no debate televisivo da emissora para permitir a Aécio atacar a candidata Dilma. A Odebrecht se vangloria, inclusive, de comprar dirigentes sindicais para refrear as lutas e os movimentos dos trabalhadores.

Para a reprodução de esquemas tão sofisticados e profissionais, o poder econômico certamente compra, além de políticos e partidos, também intelectuais, juízes, procuradores, promotores, conselheiros de tribunais de contas – autoridades que, todavia, seguem protegidas e intocadas.

Para ler a íntegra do artigo de Jeferson Miola, acesse http://jornalggn.com.br/noticia/o-estado-paralelo-do-capital-dentro-do-estado-de-direito-por-jeferson-miola.