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Cuba: a exata medida de um imenso fracasso
30/11/2016

Um artigo de Gustavo Castañon

A propósito da morte do grande líder cubano, Fidel Castro, o professor de Filosofia e Psicologia da Universidade de Juiz de Fora, Gustavo Castañon, escreveu o artigo "Cuba: a exata medida de um imenso fracasso".  No artigo, Castañon faz uma comparação entre Cuba e o nosso Brasil.  A seguir reproduzimos alguns trechos do artigo:

"Para começar, Cuba pode realmente ser ruim para mim, que sou de classe média alta, mas é para 100% de seus habitantes melhor do que o Brasil é para 90% dos seus.  Esse não é um chute estatístico, mas uma estimativa conservadora.  75,9% dos brasileiros vivem com menos de U$10.000 ao ano enquanto 10% dos brasileiros abocanham 75,4% da renda nacional (1% abocanha 48%) [1]."

"O produto interno bruto per capita em Cuba ajustado por poder de compra é de 20.648 dólares internacionais [2] , enquanto o do Brasil antes da depressão econômica era de 15.359 dólares [3].  O povo daquela ilha rochosa bloqueada é mais rico que o povo do continente Brasil."

"No dia em que o Brasil tiver um salário mínimo como o dos EUA (U$7,25 por hora contra U$1,12) [4], uma distribuição de renda como a dos EUA (gini 40,8 contra 54,7) [5] , uma lei de mídia como a dos EUA, a proteção às indústrias e agricultura local como a dos EUA, um estado do tamanho do dos EUA [6] (14,6% da população empregada contra 11,1%), a direita vai poder alertar para o risco de ele virar uma Alemanha."

'Até lá, em vez de gritar: “A esquerda quer transformar o Brasil numa Cuba!”, deveria gritar: “A esquerda quer transformar o Brasil num EUA!”."

"E então, quando o Brasil ficasse parecido com a Alemanha, a direita poderia alertar para o risco de virarmos uma Dinamarca. Aí, querer reformas de esquerda seria querer que mais da metade da renda fosse para os impostos (50,8%) [9], que os filhos da elite fossem obrigados a estudar em escolas públicas, entre as melhores do mundo, que estado tivesse mais de um terço da população empregada (34,9%) [10], bancasse dois anos de licença para criar um recém-nascido, limitasse fortemente a atuação das grandes corporações, fosse radicalmente democrático."

"Finalmente, quando o Brasil ficasse parecido com a Dinamarca, o direitista poderia gritar sem hipocrisia seu terror com a Cuba que se avizinha, a do estado total e economia planificada, e disfarçar melhor sua inveja do funcionário público sob a máscara do ódio ao estado. Provavelmente nesse dia, até eu estivesse protestando a seu lado."

"Na estratégia do espantalho cubano o reacionário brasileiro finge ser a favor da liberdade e do mérito, enquanto na verdade é contra.  Contra a liberdade do povo, seus direitos trabalhistas, o investimento na educação e universidade públicas, o fortalecimento do SUS e a redução dos juros.  Contra o aumento da carga tributária, do salário mínimo, do estado, da remuneração do professor básico, da distribuição de renda e das oportunidades para os excluídos."

"Não, Cuba não é o paraíso.  É só uma ilha rochosa no meio do Caribe sem recursos naturais de qualquer tipo e bloqueada economicamente há cinquenta anos.  E, no entanto, garante saúde e educação universal para seu povo e tem IDH maior que o nosso, nós, que somos um continente, nós, que temos todos os recursos naturais."

"Essa é a medida de nosso fracasso.  O incrível e gigantesco fracasso do capitalismo brasileiro."

 

Para ler a íntegra do texto do professor Gustavo Castañon, acesse http://www.viomundo.com.br/politica/gustavo-castanon-cuba-e-a-exata-medida-do-gigantesco-fracasso-do-capitalismo-brasileiro.html#comment-988172.

 

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