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Pesquisa comprova relação entre trabalho bancário e adoecimento
17/12/2014

Levantamento foi feito desde agosto de 2013 por questionário eletrônico 

Os dados disponibilizados durante o Seminário de Apresentação dos Resultados de Pesquisa em Saúde Mental, realizada pelo Sindicato dos Bancários de Porto Alegre, demonstram que o adoecimento, como extensão da gestão perversa dos bancos, está diretamente relacionado ao trabalho que os bancários desempenham e à pressão que sofrem. A atividade foi promovida pelo SindBancários na última sexta-feira, dia 12, na capital gaúcha.

A pesquisa "Relação entre Trabalho e Saúde Mental dos Bancários do Rio Grande do Sul" se baseou em dados coletados desde agosto de 2013, por meio de um questionário eletrônico. A próxima etapa é a fase qualitativa, na qual serão constituídos grupos focais para aprofundar a prospecção de dados, resultando em mais material para a análise. 

Uma das ramificações da pesquisa é o Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) da estudante de psicologia da UFCSPA e estagiária do SindBancários, Vatsi Meneghel Danilevicz com o tema "Suicídio no trabalho bancário: expressão do insustentável".

A professora da UFCSPA que organizou a pesquisa, Mayte Raya Amazarray, ressaltou o caráter de instrumento de ação política da iniciativa. "Temos que cumprir ainda uma etapa qualitativa da pesquisa que será feita através de grupos focais. Vamos convidar trabalhadores para participarem desses grupos e trazerem suas experiências e visões do trabalho dos bancários. O objetivo foi trazer dados científicos passíveis de análise, mas também orientar ações categoria", explicou Mayte.

O presidente do SindBancários, Everton Gimenis, destacou a parceria com a universidade pública, o esforço do Departamento de Saúde do Sindicato e o trabalho das pesquisadoras e dos estagiários e estagiárias no atendimento aos bancários. 

"A pergunta que essa pesquisa faz e a resposta que obtém revelam o quanto a nossa profissão mudou. Antes, os bancários apresentavam muitas lesões por esforço repetitivo (LER/DORT). Era muita dor nos ombros e articulações e afastamentos por causa disso. Essas lesões ainda aparecem. No entanto, agora temos problemas de sofrimento mental. É muita pressão por metas abusivas e muito assédio moral. A pesquisa mostra essa mudança", avaliou Gimenis.

O diretor de Saúde do SindBancários, Eduardo Munhoz, disse que o Sindicato irá continuar investindo em pesquisas que tragam informações que podem se transformar em direitos em negociações com os banqueiros. 

"Já temos inúmeras cláusulas em nossos acordos coletivos específicos de cada banco e também na Convenção Coletiva de Trabalho, que envolve todos os bancos muitos benefícios relacionados a compromissos dos bancos em combater o assédio moral, fonte de doenças e de sofrimento psíquico dos trabalhadores. Muitos dos direitos que conquistamos começam em seminários e com pesquisas", exemplificou.

A assessora de Saúde do SindBancários, Jaceia Netz, lembrou da trajetória da pesquisa e da importância da atuação do Sindicato. "Nós que trabalhamos e acompanhamos diariamente os bancários adoecidos sabemos que quem está doente é o banco e não os trabalhadores", disse Jaceia, parafraseando o documentário "Quem Está Doente é o Banco - A verdade sobre o assédio moral", apresentado na abertura do Seminário.

Participaram também do seminário como integrantes da mesa as pesquisadoras Daniela Gaviraghi, Simone Gadegast e Clarissa de Antoni, além de representantes de outras categorias e de sindicatos do Interior do Estado.

Confira alguns dados da pesquisa:

Perfil dos participantes - 1.787 bancários do Rio Grande do Sul

Onde vivem - 50,88%da capital e 49,12%do interior

Sexo - 49,17%homens e 50,83%mulheres

Idade - A idade variou 20 a 66anos, com média de 39anos e 3meses

Tempo de trabalho - O tempo de trabalho de 1mês e 39anos

Onde trabalham - 82,42%são trabalhadores de instituições públicas; 66,32%trabalham em agências e 33,68% dos trabalhadores desempenham funções de departamento

Estado civil - 52,87% eram casados; 28,50%solteiros; 9,75% possuíam união estável e 8,39%separados/divorciados

Escolaridade - 52% Ensino Superior Completo; 26% possuíam Pós-Graduação e 22,09% Ensino Médio

No trabalho - 21,34% cumprem mais de 40h semanais

Acidentes - 38% sofreram acidente de trabalho

Violência - 11,54% foram assaltados ou sequestrados

Demissões - 56% temiam ser demitidos

Ética - 47,64% abririam mão de seus valores éticos pelo trabalho

Conflitos - 88,23% são expostos a conflitos ou hostilidades

Trabalho e vida pessoal - 89% sentem que o trabalho interfere negativamente em outras áreas da vida

Afastamentos - 49% já se afastaram por motivos de saúde

Medicação - 26% utilizam medicação psiquiátrica; destes, 40% acreditam que o uso de medicação psiquiátrica e/ou substâncias psicoativas está relacionado ao trabalho

Estresse - 67% dos bancários sentem-se nervosos ou preocupados, 50% dormem mal, 47% tem se sentem tristes ultimamente e 42% referiram que o trabalho é penoso e causa sofrimento

Insatisfação - 25% dos bancários estão insatisfeitos com a vida.


Fonte: Fetrafi-RS com Seeb Porto Alegre - 17/12/2014