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Greve histórica dos empregados da Caixa completa 29 anos nesta quinta
31/10/2014

Paralisação garantiu jornada de seis horas e direito à sindicalização

Os empregados da Caixa Econômica Federal têm tradição em deflagrar greves nacionais fortes, amplas e unificadas. Tudo começou há exatos 29 anos, em 30 de outubro de 1985, quando foi realizada uma paralisação histórica de 24 horas, inaugurando, em termos definitivos, o movimento organizado entre os trabalhadores da empresa.

A adesão foi de praticamente 100% nas agências e unidades em todo o país. Entre as conquistas estão a jornada de trabalho de seis horas e a condição de trabalhador bancário, com direito à sindicalização.

"Essa greve é um marco no calendário de luta dos empregados da Caixa. A Fenae estava lá. Antes de sua deflagração, os trabalhadores da empresa eram conhecidos como economiários, não seguiam a jornada de trabalho estabelecida para o restante da categoria bancária e tampouco podiam estar vinculados a sindicatos", lembra o presidente da Fenae, Jair Pedro Ferreira. 

"Mostramos nossa força ao longo dos anos, sobretudo em momentos de dificuldades, como aqueles em que a privatização estava sendo preparada", salienta Jair.

O movimento de 1985 foi deflagrado com base na mobilização dos auxiliares de escritório, cuja reivindicação principal era para que fossem enquadrados como escriturários na carreira técnico-administrativa. Ocorre que os dois profissionais exerciam as mesmas funções, embora o piso para o auxiliar de escritório correspondia à metade do salário de ingresso previsto no Plano de Cargos e Salários (PCS) da época.

"Isso mudou depois de outubro de 1985, quando houve a aprovação pelo Congresso Nacional do projeto de lei nº 4.111-4, do então deputado Léo Simões, que estabelecia a jornada de seis horas diárias para os empregados da Caixa", lembra Fabiana Matheus, diretora de Administração e Finanças da Fenae e também coordenadora da Comissão Executiva dos Empregados (CEE-Caixa), que assessora a Contraf-CUT nas negociações com o banco.

A lei foi sancionada pelo então presidente José Sarney, em 17 de dezembro daquele ano. No dia seguinte, o Diário Oficial da União trouxe ainda a garantia do direito à sindicalização a todos os empregados da Caixa, viabilizada com a alteração do parágrafo único do artigo 556 da Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT). 

"A luta continua. O que começou com a greve histórica não pode parar, para conquistarmos os avanços necessários", conclui Jair.


Fonte: Contraf-CUT com Fenae - 30/10/2014