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Balanço: Os problemas dos bancários do BB só aumentaram em 2007
03/01/2008

(São Paulo) O ano de 2007 terminou e o Banco do Brasil continua com um débito enorme com seus funcionários. A Contraf-CUT e os sindicatos cobraram uma série de reivindicações durante o ano inteiro, mas os negociadores do banco continuam com a prática de "empurrar com a barriga" para que os problemas caiam no esquecimento e os funcionários desistam de suas bandeiras. 

"Alguns casos o banco simplesmente não respondeu e em outros tomou medidas que contrariam a lei e as necessidades dos trabalhadores", afirma Marcel Barros coordenador da Comissão de Empresa dos Funcionários do BB.

Confira nos tópicos abaixo os principais problemas dos bancários que o BB ainda não resolveu.

PCS 
O banco implantou inovações no Plano de Cargos e Salários (PCS), com o pacote de maio, que não atende as necessidades dos funcionários. Ainda faltam o interstício, o anuênio e um formato de plano que dê perspectiva de futuro aos trabalhadores.

PCC
O pacote de maio trouxe ainda mais problemas para o Plano de Cargos Comissionados (PCC). Acabou com as substituições através da "lateralidade" provocando um verdadeiro caos nos locais de trabalho. O assedio moral e o trabalho gratuito aumentaram de forma vertiginosa e o desvio de função se tornou ainda maior. Desde 2003 que os bancários cobram a implementação das resoluções do GT PCS/PCC. 

TERCEIRIZAÇÃO
Diversos problemas com as empresas de terceirização têm sido denunciados ao banco, que não toma providências alegando que a legislação não permite. As empresas de vigilância, limpeza e telefonia "desaparecem" sem pagar salários e sem recolher os encargos sociais, deixando milhares de trabalhadores totalmente desamparados, com a conivência do BB que diz ser responsável socialmente. O pacote de maio trouxe ainda mais problemas nessa área com a implantação do PEE (processamento eletrônico de envelopes). Os terceiros são submetidos à humilhação, sendo obrigados a tirar a roupa e usar macacões ou batas sem bolsos, além de os lugares de trabalho serem inadequados. Estagiários realizam serviços de bancários, caracterizando interposição fraudulenta de mão de obra.

CCP
Mesmo com todas as negociações realizadas, ainda falta o banco cumprir o que ficou acertado em relação às Comissões de Conciliação Prévia (CCP). O banco insiste em apresentar um valor (paradigma) sem detalhar a que se refere, exigindo a quitação de horas extras e desvio de função. A tendência, pela postura do BB, é de o acordo não ser renovado e acabar com o instrumento. 

CERTIFICAÇÃO
A resolução 3.158 do Banco Central exige a certificação para aqueles que exerçam atividades na área de distribuição e mediação de títulos, valores mobiliários e derivativos (aplicações financeiras em geral) até 31/12/2007. Por razões diversas (falta de horário para estudo, carga de trabalho excessiva, etc), muitos funcionários não cumpriram a exigência. A Contraf cobrou do Banco do Brasil que esse prazo fosse dilatado, entretanto a direção afirma que não poderá fazê-lo for força da legislação e que aqueles que não atenderem o disposto na resolução serão descomissionados. "A falta de sensibilidade da empresa é absurda. O ritmo de trabalho imposto, as metas, o desvio de função, além de outros problemas do dia a dia impedem que os funcionários se preparem de forma adequada para as provas e por conta disso podem ser punidos", conta Marcel.

PARAGUAI 
Depois de uma longa negociação, o banco assinou um acordo no Ministério da Justiça e do Trabalho do Paraguai, concedendo reajuste e mantendo alguns benefícios dos trabalhadores do BB naquele País. Por mais absurdo que possa parecer, o BB simplesmente está descumprindo o acordo e perseguindo os dirigentes sindicais. Foi solicitada reunião entre o banco, o Sindicato Paraguaio e a Contraf, mas até o momento não houve resposta da empresa.

Fonte: Contraf-CUT, 28/12/07, com edição do SEEB-Passo Fundo