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Artigo: Banco do Brasil, o banco 4D
19/11/2013

 

Cliente despersonalizado

Bancário desprofissionalizado

Atendimento desumanizado

Banco descaracterizado

 

Todos nós conhecemos o Televisor 3D, a última palavra em tecnologia de televisores, que está na moda.  Mas, falando em assuntos bancários, não há como negar que o Banco do Brasil vem se superando e já lançou o Banco 4D.  Nos parágrafos a seguir, procuramos esclarecer do que se trata.

O D do cliente despersonalizado

A não ser os clientes VIP, que são “tratados a pão de ló”, com todas as regalias e mordomias, tendo, inclusive, espaço privilegiado nas dependências do banco, os demais estão jogados à insignificância.  Para serem atendidos nas agências se obrigam a enfrentar esperas que podem passar, longe, dos 60 minutos.

O D do bancário desprofissionalizado

Com a transformação do Banco do Brasil em um banco quase que meramente comercial, seu funcionário se viu cada vez mais desprofissionalizado, tornou-se apenas mais um vendedor de produtos financeiros.  Isto, apesar de os meios internos mencionarem com efusividade a palavra profissionalização.

O D de atendimento desumanizado

Uma vez que a venda de produtos é exigida a cada dia com mais força, os funcionários acabam se vendo obrigados a esquecer alguns dos princípios sob os quais foram criados por seus pais e avós.  Para que se cumpram as metas, esses princípios têm que ser, sistematicamente, rejeitados.  É necessário, em muitos casos, desrespeitar os clientes, induzindos-os, pressionando-os, chantageando-os a adquirirem produtos que, na verdade, de uma mais espontânea, digamos assim, não adquiririam, pois não teriam disposição para tanto.

O D do banco descaracterizado

O resultado de tamanho desvirtuamento não poderia ser outro que a descaracterização crescente do Banco do Brasil.  Ou seja, o BB vai se afastando cada vez mais da função para a qual foi criado, a de principal órgão de que dispõe o governo federal para implementar política de apoio ao desenvolvimento do país e de seu povo, função essa que, mesmo com falhas significativas, até há alguns anos o banco cumpria.  Ao voltar-se quase que exclusivamente à disputa mercadológica e à área comercial, esquivando-se do cumprimento de seu papel, o BB vai ficando descaracterizado e o povo brasileiro já não o vê como o banco imprescindível que já foi um dia.

O desrespeito da diretoria do Banco do Brasil para com seus funcionários continua 

Depois de, em janeiro deste ano, implementar, de forma unilateral, sem a mais mínima discussão com seus trabalhadores, um plano de funções comissionadas que veio rebaixar a renda e retirar direitos dos mesmos.

Depois de lançar mais uma modificação na GDP (Gestão do Desempenho Pessoal), modificação implementada com o objetivo primeiro de punir ao invés de auxiliar os funcionários em sua evolução profissional.

Depois dessas grandes demonstrações de desdém pelos seus trabalhadores, a diretoria do Banco do Brasil deu seqüência a sua política de terceirização de serviços com a reestruturação das Gerat.

Desdenhando da capacidade dos funcionários

Como das anteriores, a reestruturação das Gerat tem por objetivo apenas a redução de custos com pessoal, descuidando da excelência dos serviços prestados aos clientes pelos funcionários desses órgãos e, por consequência, dos ganhos que esses profissionais têm trazido à empresa.

Essa reestruturação descuida também, chegando a desdenhar, da capacidade demonstrada por esses funcionários na recuperação de créditos, capacidade forjada durante anos de prática nessa função.  Pois, todo esse acúmulo de conhecimento está agora a ser desprezado e jogado na lata do lixo.

E, como se isso fosse pouco, o banco desconsidera os tantos anos de dedicação desses trabalhadores colocando-os “entre a cruz e a espada”; são obrigados a escolher entre permanecer em suas cidades, às custas da redução de sua renda mensal por conta da perda de seus cargos comissionados, ou deslocarem-se para um grande centro (Porto Alegre, Curitiba, São Paulo) onde terão chances de manter sua comissão mas serão penalizados com um custo de vida bem mais elevado.

Rumo à terceirização

E esta situação está se repetindo em todo o Brasil.  Ou seja, é o BB mais uma vez querendo sair na frente, aplicando antecipadamente o PL 4330 da terceirização da atividade-fim da empresa e que terá como consequência o fim das diversas categorias de trabalhadores, em especial a dos bancários, como as conhecemos hoje.  A concretização desses feitos fará no futuro, nos bate-papos entre amigos, surgirem lembranças e comentários de que aquela categoria de trabalhadores, os bancários, lembra os dinossauros: grandes e fortes, mas extintos...

A diretoria do Banco do Brasil parece apostar na aprovação do altamente danoso Projeto de Lei 4330 no Congresso Nacional, pois chegou a mudar o nome de uma de suas subsidiárias, a Cobra Tecnologia, para BB Tecnologia, criando um mecanismo para terceirizar várias atividades.  Além de parte do setor contábil e do monitoramento do autoatendimento, a BB Tecnologia deve absorver também tarefas relativas ao crédito imobiliário.  Ou seja, é o maior banco público do país apostando, absurdamente, na precarização dos direitos dos trabalhadores.

Na verdade, a terceirização implementada pela diretoria do BB segue caminho coerente com a medida tomada, recentemente, pelo Governo Federal, de aumentar de 20% para 30% a participação do capital estrangeiro no banco.  Para satisfazer a sede de ganhos desses investidores privados, a busca do BB por lucros sempre maiores vai se intensificar ainda mais.  Os trabalhadores do banco e a população brasileira pagarão a conta por isso.

O caso da Gerat-Passo Fundo

Mesmo com todas as dificuldades de pessoal, estrutura e tecnologia, e com uma abrangência de mais de 100 municípios, a Gerat-Passo Fundo SEMPRE cumpriu seu orçamento ou SINERGIA, em todos os semestres, principalmente os últimos seis, quando foi destaque e reconhecida pela performance de sempre figurar entre as melhores do Brasil.

Em um momento assim, é necessário fazer uma pergunta: valeu para alguma coisa?  Cada colega, independente do setor ou diretoria a que pertença, deve pensar sobre isso.

No caso da Gerat, simplesmente, em maio deste ano, em uma visita relâmpago realizada pelo Diretor Adriano, o Regional Júlio Cesar e o Executivo Evandro, foram os colegas avisados de que a unidade iria fechar em função da reestruturação que o BB estava realizando.

É claro que, na ocasião, os chefes acima demonstraram muita preocupação com “as pessoas”, mas... ficou apenas na preocupação, pois, na prática, o que se viu foi coisa bem diferente.

No BB, os colegas são pagos não para pensar e, quando o fazem, é aceitável ficar apenas no pensamento, pois transformar isso em palavras, já é um pecado mortal; ainda mais se o colega ousar escrever para algum diretor.

Foi o que aconteceu na Gerat-Passo Fundo.  Com o único propósito de explicar a situação em que os colegas se encontravam, após as notícias de fechamento da unidade, e de discordar da forma como as coisas “estavam andando”, com a falta de informações, com as orientações desencontradas, as nomeações para os novos cargos fora do TAO, os apadrinhamentos, o chefe da Gerat, Derli, cometeu esse “pecado”.  O resultado: o primeiro a sucumbir foi ele.

Seria desnecessário dizer que trata-se de colega com mais de 20 anos de exercício de cargo comissionado, que jamais respondeu qualquer processo disciplinar e tampouco teve avaliação (GDP) deficiente, ou seja, sua ficha funcional não possui qualquer nota de reprovação.  Pelo contrário, é notória e de conhecimento de todos os colegas da região a dedicação e a entrega do colega à empresa em mais de 30 anos de serviços prestados.

E não vai ficar só nisso.  Nos próximos dias, os demais colegas da Gerat Passo Fundo (Edson, Ricardo, Lino, Evandro, Betti, Rose, Luiz, Dimi, Abel, Aline, Adriana, Sílvia, Magali, Cláudia, Constantino) terão o mesmo destino, ou seja, o descomissionamento e o não aproveitamento da experiência e know how que acumularam naquilo que mais sabem fazer.

Serão todos substituídos por terceirizados, com certeza visando baixos custos para o banco, mas de comprovada ineficiência, pois na contramão de outros bancos, que cada vez mais procuram se aproximar dos clientes, sejam eles inadimplentes ou não.

“Licença para matar”

Parafraseando JR GUZZO, os fatos são claros como água pura da fonte e provocam, como tantos outros que vêm acontecendo ultimamente (reestruturação na DIRAO, AJURE/NUJUR, CSO, DICRE, DICOI, etc.) uma sensação cada vez mais desconfortável: a de que a atual Diretoria do BB, de desatino em desatino, vai se tornando incompreensível.  Mais do que a tão falada banalidade do mal, o que se tem no BB de hoje, é a banalidade das atitudes sem nexo.

Enquanto existir, segundo o MPT do Paraná, um “seguro de luxo” – seguro corporativo, atualmente de R$ 304 milhões – para eventuais despesas ou sanções financeiras, com o qual o BB arca quando seus executivos atuam, mesmo que numa gestão temerária como esta, dificilmente, situações desse tipo deixarão de se repetir.

É necessário se fazer justiça e não responsabilizar apenas o banco; neste caso, a pena acaba recaindo sobre a sociedade.  Também o próprio executivo tem que ser penalizado, pois se esconde atrás de um seguro que chega a ser uma “licença para matar”.

 

Secretaria de Imprensa e Divulgação - 19/11/2013