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Artigo: Ataque militar “humanitário”? Como, cara-pálida?, por Setembrino Dal Bosco
11/09/2013

Fizemos uma rápida pesquisa, fontes precárias, sobretudo do site Wikipédia, delimitando o espaço temporal-geográfico, sobre as intervenções militares “humanitárias” comandadas pelos EUA. O resultado é alarmante. Analisemos os dados: Entre 1950 e 1960 foram seis intervenções militares norte americanas nos respectivos países: Korea e China [1950-1953]; Guatemala [1954]; Indonésia [1958]; Cuba e, novamente, Guatemala [1960]. Somente na Korea o total de mortos ultrapassou 1,3 milhões.

Nas décadas de 60-70 foram oito intervenções “humanitárias” algumas longas outras não: Congo e Guatemala [1964]; República Dominicana e Peru [1965]; Laos [1964-1973]; Vietnã [1961-1973]; Camboja [1969-1970] e novamente Guatemala [1967-1969]. Embora pesquisadores divirjam do número de mortos nesta década, em apenas dois países, Vietnã [2 a 5 milhões] e Camboja [800 mil a 2,5 milhões] o total de vítimas fica entre 2 a 7,5 milhões.

Entre 1980 e 1990, oito intervenções militares nos seguintes países: Líbano [1982-1984]; Granada [1983-1984]; Líbia [1986]; El Salvador [1981-1992]; Nicarágua [1981-1990]; Irã [1987-1988]; novamente Líbia [1989] e Panamá [1989-1990]. Embora faltem fontes positivas do número de mortes nesta década, no geral, foram mais de 500 milhões de mortos. Entre as vítimas estava a filha de Kadafi, de apenas um ano e três meses de idade, na intervenção de 1986.  

No período de 1990/2000, oito intervenções militares “humanitárias”. Os países que sofreram a fúria do Tio Sam neste período foram: Iraque e Kuwait [1991]; Somália [1992-1994]; Bosnia [1995]; Irã, Afeganistão e Sudan [1998] e Servia [1999].  Nas intervenções dos países acima, embora divergências quantitativas, o número de mortos oscila entre 2,3 milhões a 4,5 milhões. Entre 2001 e 2011, três intervenções militares “humanitárias”: Afeganistão [2001]; Iraque [2003] e Libia [2011], totalizando, com divergências entre pesquisadores, de 700 mil e 1,2 milhões de mortos.

Como referido, fizemos pesquisa rápida e, em muitos dos países agredidos, não conseguimos dados sobre o número de vítimas da máquina de guerra estadunidense.  No total foram 34 nações invadidas, algumas mais de uma vez, em 68 anos. Neste período, de acordo com dados a disposição, carecendo de fontes positivas, entre dez milhões e quinze milhões de pessoas foram assassinadas, grande maioria civis. Média, considerando as divergências entre pesquisadores, de 147.000 a 221.000 por ano.

Certamente pesquisa aprofundada, sustentada em fontes positivas, revelará dados superiores.  Milhões de filhos e filhas com mais ou menos idade que a filha de Kadafi. Milhões de jovens, homens e mulheres, trabalhadores [as], anciões [ãs] brutalmente assassinadas pelas operações militares “humanitárias” capitaneadas pelos E.U.A. Todos os presidentes estadunidenses e seus lacaios internacionais que ordenaram estes crimes deveriam ter sido julgados e condenados pelo Tribunal Penal Internacional de Haia por crimes contra a humanidade.

Barack, a humanidade não quer teus “humanitários” assassinos na Síria. Respeite a autodeterminação dos povos. Toda vez que o presidente estadunidense divulga a comunidade internacional que está prestes a fazer uma intervenção “militar-humanitária” [sic!] para salvar civis e libertar uma nação, lembramos que a história só se repete como tragédia ou então como uma farsa.

 

Setembrino Dal Bosco

Diretor do SEEB-Passo Fundo e Mestre em História pela Universidade de Passo Fundo