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Se 97% das categorias fazem acordo com ganho real, bancos podem mais
05/09/2012

Balanço divulgado nesta quinta-feira 30 pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) mostra que quase todos os acordos salariais assinados no primeiro semestre de 2012 resultaram em aumentos reais de salário para os trabalhadores. Na média, os ganhos foram 2,23% acima da inflação - mais que o triplo do 0,7% de aumento real proposto pela Fenaban aos bancários nas negociações desta semana, já considerado insuficiente pelo Comando Nacional, coordenado pela Contraf-CUT.

Segundo a pesquisa, que considera as negociações registradas no Sistema de Acompanhamento de Salários (SAS) do Dieese, 97% dos 370 reajustes dos primeiros seis meses do ano superaram a inflação calculada pelo INPC, do IBGE. É o melhor resultado das negociações salariais desde 1996. Apenas duas categorias registradas no SAS tiveram reajustes abaixo da inflação. Veja no quadro.

Distribuição dos reajustes comparada com o INPC, por setor econômico Brasil
- 2012

 

 

Variação


 
 

Indústria


 
 

Comércio


 
 

Serviços


 
 

Total (em
  %)


 
 

Acima
  do INPC-IBGE


 
 

98,2


 
 

98,1


 
 

94,2


 
 

96,5


 
 

Mais de 5% acima


 
 

4,9


 
 

3,8


 
 

13,0


 
 

8,1


 
 

De 4,01% a 5% acima


 
 

6,1


 
 

3,8


 
 

5,2


 
 

5,4


 
 

De 3,01% a 4% acima


 
 

4,3


 
 

3,8


 
 

3,2


 
 

3,8


 
 

De 2,01% a 3% acima


 
 

36,6


 
 

34,6


 
 

19,5


 
 

29,2


 
 

De 1,01% a 2% acima


 
 

28,0


 
 

44,2


 
 

30,5


 
 

31,4


 
 

De 0,01% a 1% acima


 
 

18,3


 
 

7,7


 
 

22,7


 
 

18,6


 
 

Igual
  ao INPC-IBGE


 
 

1,8


 
 

1,9


 
 

4,5


 
 

3,0


 
 

De 0,01% a 1% abaixo


 
 

-


 
 

-


 
 

1,3


 
 

0,5


 
 

De 1,01% a 2% abaixo


 
 

-


 
 

-


 
 

-


 
 

-


 
 

De 2,01% a 3% abaixo


 
 

-


 
 

-


 
 

-


 
 

-


 
 

De 3,01% a 4% abaixo


 
 

-


 
 

-


 
 

-


 
 

-


 
 

De 4,01% a 5% abaixo


 
 

-


 
 

-


 
 

-


 
 

-


 
 

Mais de 5% abaixo


 
 

-


 
 

-


 
 

-


 
 

-


 
 

Abaixo
  do INPC-IBGE


 
 

-


 
 

-


 
 

1,3


 
 

0,5


 
 

Total


 
 

100,0


 
 

100,0


 
 

100,0


 
 

100,0


 

Fonte: Dieese. SAS-Dieese - Sistema de Acompanhamento de Salários

Obs.: Foram considerados os reajustes salariais de 164 unidades de negociação da Indústria, 52 do Comércio e 154 dos Serviços.

"Salta aos olhos na pesquisa que até no setor industrial, que os economistas apontam como o mais atingido pela crise, mais de 98% dos acordos salariais garantiram aumentos reais. Não há, portanto, nenhuma razão para que o sistema financeiro, o mais dinâmico e rentável da economia, fique com essa choradeira e recuse atender as reivindicações dos bancários", compara Carlos Cordeiro, presidente da Contraf-CUT e coordenador do Comando Nacional.


Os bancos propuseram 6%, mas a categoria reivindica 10,25% de reajuste (5% de aumento real), valorização maior do piso, PLR de três salários mais R$ 4.961,28 fixos, mais contratações e garantias contra demissões imotivadas, mais saúde e melhores condições de trabalho, mais segurança e igualdade de oportunidades.

"Nós queremos construir um bom acordo na mesa de negociação na próxima terça-feira. Isso dependerá exclusivamente dos bancos. Condições financeiras eles têm de sobra. Somente as seis maiores  instituições apresentaram R$ 25,2 bilhões de lucro líquido no primeiro semestre e ainda provisionaram R$ 39,15 bilhões para devedores duvidosos, um grande exagero para uma inadimplência que cresceu apenas 0,7 ponto percentual no período", afirma Carlos Cordeiro.