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Enquanto demite, Itaú pagou média de R$ 7,45 milhões por diretor em 2011
04/06/2012

O Itaú Unibanco segue pisando na bola com os trabalhadores e a sociedade brasileira.
Enquanto praticou demissões em massa em 2011, cortando 4.058 empregos, o banco
pagou média de R$ 7,45 milhões por diretor. A instituição que lucrou R$ 14,6
bilhões no ano passado é o único banco que aparece na lista das dez empresas
com maior gasto médio por diretor, conforme levantamento do jornal Valor
Econômico publicado na edição desta quinta-feira (31).



O jornal fez um ranking, com maiores gastos médios dentro de cada diretoria,
com base na documentação apresentada por 206 companhias abertas brasileiras,
incluindo todas as relevantes com dados disponíveis e consistentes, que
passaram a ser divulgados por exigência da Comissão de Valores Mobiliários
(CVM).



"Essa gorda remuneração anual de um diretor do Itaú supera 208 vezes o
ganho de um bancário que recebeu ao longo do ano o piso da categoria em 2011,
mostrando uma tremenda injustiça do banco privado que mais lucra no Brasil e o
único das grandes instituições financeiras que está cortando postos de
trabalho", afirma Carlos Cordeiro, funcionário do Itaú e presidente da
Contraf-CUT. "Isso revela falta de responsabilidade social e de
compromisso com o desenvolvimento econômico do país com distribuição de renda e
inclusão social", aponta.



Para ele, as demissões revelam o jogo feio da política de rotatividade. "O
banco manda embora funcionários antigos com salários maiores e contrata novos
pagando bem menos", denuncia o dirigente sindical. Segundo a Pesquisa do
Emprego Bancário, elaborada trimestralmente pela Contraf-CUT e Dieese, com dados
do Caged, a remuneração média dos admitidos foi de R$ 2.430,57 em 2011,
enquanto que a dos desligados foi de R$ 4.110,26, uma diferença de 40,87%. No
ano anterior, a diferença era de 37,60%.



"Isso mostra como o banco economiza bilhões de reais com a rotatividade, enquanto
oferece ganhos milionários para diretores, o que é inaceitável", compara.



Para o presidente da Contraf-CUT, essa enorme diferença na remuneração do banco
reforça ainda mais a mobilização dos trabalhadores contra as demissões e a
política de rotatividade, bem como a luta pela melhoria das condições de saúde,
segurança e trabalho e pelo pagamento do Programa Complementar de Resultados
(PCR). "Não é justo que um punhado de executivos ganhe milhões de reais,
enquanto a imensa maioria dos funcionários não é valorizada e nem sabe se terá
emprego no dia de amanhã", completa Cordeiro.



Levantamento



Segundo o jornal, as companhias de capital aberto brasileiras gastaram R$ 3,87
bilhões com remuneração de diretores e conselheiros de administração em 2011,
valor 14% maior que o de 2010.



Do bolo total de 2011, os diretores ficaram com R$ 3,38 bilhões (alta de 17%)
em 2011, enquanto os conselheiros receberam R$ 434 milhões (-3%).





Fonte: Contraf-CUT com Valor Econômico