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Contraf-CUT critica retorno anual de 27,3% sobre patrimônio dos bancos
16/04/2012

A Contraf-CUT criticou nesta sexta-feira (13) o retorno anual de 27,3% sobre o patrimônio dos bancos no Brasil, o que coloca o país em primeiro lugar no ranking feito no primeiro semestre do ano passado pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) entre as dez maiores economias do mundo. A segunda posição é ocupada pelo Canadá (23,4%).

O retorno na Índia (14,3%) e na França (13,1%) é praticamente a metade do brasileiro. Nos Estados Unidos, na Itália e no Reino Unido é inferior a 2,5%. O levantamento foi divulgado na quinta-feira (12) pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega, que subiu o tom contra os bancos privados e cobrou a redução dos juros.



"Esse retorno de 27,3% é outra jabuticaba, pois só existe no Brasil. Por isso, os bancos vivem comprando outras instituições e, desta forma, hoje mais de 80% do sistema financeiro está concentrado em seis grandes bancos", explica o presidente da Contraf-CUT, Carlos Cordeiro.

"É como se alguém que tenha um apartamento de R$ 100 mil, fosse alugá-lo e, após três anos, ele teria dinheiro com renda de aluguéis para adquirir outro imóvel do mesmo valor", comparou. "Agora, no caso de um trabalhador, a situação é bem diferente. Com o salário que recebe, a maioria tem que trabalhar quase a vida inteira para construir o seu patrimônio", apontou o dirigente sindical.

Os cinco maiores bancos do país lucraram mais de R$ 50,7 bilhões em 2011. O montante representa um crescimento de 9,78% em relação ao ano anterior. Já o patrimônio líquido desses bancos atingiu R$ 270,5 bilhões no ano passado, uma expansão de 12,87% em comparação a 2010.

"A sociedade brasileira não pode mais tolerar esse enriquecimento do sistema financeiro. Estamos diante da mais sórdida maneira de concentração de riqueza, num país que está entre as 12 economias mais desiguais do planeta. É uma afronta a toda a sociedade, uma vez que parte considerável é fruto da cobrança abusiva de juros, spreads e tarifas, os mais altos do mundo, apesar das sucessivas quedas da taxa Selic", ressalta o presidente da Contraf-CUT. 

Para ele, é preciso distribuir renda. Cordeiro denuncia que um executivo de banco chega a ganhar até 400 vezes a renda de um bancário que recebe o piso da categoria no Brasil. "Essa situação precisa mudar. O Brasil não pode continuar sendo o país das desigualdades. Queremos distribuição de renda, valorização do trabalho, inclusão e justiça social", conclui.


Fonte: Contraf-CUT com Folha de S.Paulo